AL analisa cheques que envolveriam deputados
A procuradoria jurídica da Assembléia Legislativa tem prazo até a próxima terça-feira para analisar as cópias de canhotos de cheques que comprovariam o envolvimento dos deputados estaduais Algaci Túlio (PTB) presidente da CPI do narcotráfico e Luiz Carlos Alborghetti (PFL) com o empresário Paulo Mandelli. Foragido da Justiça desde o dia 29 de março, Mandelli foi acusado durante os depoimentos à CPI do Narcotráfico de ser um dos principais envolvidos com o roubo, receptação e desmanche de carros roubados no Paraná. A ação seria acobertada por policiais civis. Não acredito no envolvimento dos parlamentares, mas é preciso esclarecer esta situação rapidamente, explicou o presidente da Assembléia Nelson Justus (PTB).
Ontem ele encaminhou para a procuradoria jurídica as cópias dos canhotos que recebeu do líder da bancada do PMDB, Nereu Moura, na terça-feira passada. Nos canhotos, que a Folha também teve acesso, existem anotações de valores variando de R$ 150,00 a R$ 95,8 mil, com referências a nomes e sobrenomes de políticos: Política/Algaci e Alborghetti, que podem ser os deputados Algaci Túlio e Luiz Carlos Alborghetti. Pelas anotações dos canhotos aos quais a Folha teve acesso, Algaci e Alborghetti teriam recebido, respectivamente, R$ 10,8 mil e R$ 18,5 mil. Nas cópias também existem a anotação PMDB, com o valor de R$ 5 mil.
Nesta semana, a bancada de oposição ameaçou abandonar a CPI do Narcotráfico caso Algaci não se declarasse, de acordo com os oposicionais, impedido moralmente de prosseguir na presidência da comissão. Todas as outras quatro CPIs (medicamentos, combustíveis, roubo de cargas e dos supermercados) estão funcionando muito bem sem a participação da oposição, cutucou Justus. Desde o começo de março, quando surgiram as primeiras denúncias envolvendo o nome de Algaci com policiais civis acusados de participação no crime organizado, o presidente da Assembléia vem afirmando que não vai aceitar interferências externas nas CPIs. (R.B.N.)





