Por 14 votos a 4 a Assembléia Legislativa do Amapá afastou do cargo o governador Alberto Capiberibe (PSB), acusado de desviar recursos do Fundef, fundo federal para a educação. Da França, onde está desde segunda-feira, Capiberibe mandou dizer que não reconhece a decisão da Assembléia porque a Comissão Especial Processante é ilegal. Segundo ele, esta comissão foi instalada com base numa lei estadual que já foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal. O presidente da Assembléia, Fran Junior, rebate afirmando que a comissão e todo o processo que culminou com o afastamento de Capiberibe foram baseados na lei federal 1079 – a mesma que foi usada no processo de impeachment de Fernando Collor de Mello.
A denúncia de irregularidade na aplicação de verbas do Fundef foi protocolada na Assembléia no dia 8 de maio pelo deputado federal Sérgio Barcellos (PFL). No dia 21, por 21 votos a 3, foi votada a admissibilidade da denúncia e criada uma Comissão Processante Especial para investigá-la. Nesta terça-feira, o relatório da Comissão sugerindo o afastamento do governador por 180 dias, para que seja julgado por uma nova comissão formada por deputados e desembargadores, foi aprovado por 14 votos a 4. A sessão foi tumultuada: o deputado Manuel Brasil (PSDB) – novo aliado do governador – deu um tapa no presidente da Assembléia, Fran Junior (PMDB), enquanto das galerias eram jogadas moedas nos deputados contrários ao relatório.
Na semana passada, antes de viajar para a França, onde participa de uma conferência sobre os 500 anos de descobrimento do Brasil, Capiberibe disse que estava tranquilo porque não acreditava que seus adversários conseguissem dois terços dos votos para afastá-lo.

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