AL admite cortar verba de 'deputado-secretário'
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segunda-feira, 13 de julho de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Nelson Justus (DEM), afirmou ontem que a Casa está passando por uma reforma administrativa que poderá resultar também no corte da verba de pessoal hoje destinada aos deputados estaduais licenciados para ocuparem cargos de secretários de Estado. No último domingo, reportagem da FOLHA DE LONDRINA revelou que os secretários estaduais do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Nelson Garcia (PSDB), e do Planejamento e Coordenação Geral, Ênio Verri (PT), continuam se utilizando da verba de pessoal mensal, no valor de R$ 39,5 mil, para fazerem nomeações e exonerações de funcionários, mesmo licenciados do Legislativo. A movimentação de funcionários foi registrada em Diários Oficiais da própria Casa, obtidos pela Reportagem. Justus, contudo, não falou em prazos.
Até maio, a Assembleia ainda permitia que o deputado-secretário recebesse as duas verbas extras ganhas por todos os demais parlamentares em exercício - além da verba de pessoal, a verba de ressarcimento, de R$ 27,5 mil mensal, que é destinada a despesas relacionadas ao mandato, como aluguel de escritório, combustível, telefone. Naquele mês, uma resolução da Casa acabou com o pagamento da verba de ressarcimento ao deputado-secretário. Na mesma resolução, contudo, não havia menção à verba de pessoal.
Em nota enviada ontem à FOLHA, o secretário Ênio Verri afirmou que já não recebia mais a verba de ressarcimento, mesmo antes da resolução, e que só continuaria recebendo a verba de pessoal porque o Regimento Interno da Assembleia Legislativa permitiria o benefício sendo, portanto, uma questão legal.
No Regimento Interno, contudo, está escrito que o deputado-secretário até pode optar pela remuneração do mandato (hoje em R$ 12,3 mil), mas não fala do pagamento dos extras. Em entrevista no passado, o próprio presidente da Casa admitiu que o pagamento dos extras seria uma interpretação do que prevê o Regimento Interno e também o artigo 60 da Constituição Estadual e artigo 56 da Constituição Federal, mas a interpretação sobre o assunto é diferente em Brasília: na Câmara, deputados federais licenciados para cargos no Executivo também podem optar pela remuneração básica do Legislativo, mas não recebem os extras destinados exclusivamente aos respectivos suplentes.
Garcia não retornou ao recado da Reportagem. Ao contrário de Verri, o tucano ainda mantém um gabinete dentro da Assembleia, funcionando normalmente.
VERBAS EXTRAS
Veja o desdobramento do caso:
FEVEREIRO DE 2007
- Reportagem da FOLHA DE LONDRINA revela que deputados estaduais licenciados para cargos de secretários de Estado continuavam recebendo as verbas de ressarcimento e de pessoal. Em entrevista concedida na época, o presidente da Assembleia Legislativa, Nelson Justus, confirma que o benefício deveria ser revisto.
ABRIL DE 2009
- Trecho de uma resolução aprovada pela Assembleia Legislativa determina o fim da verba de ressarcimento ao ''deputado-secretário''. A resolução não menciona a verba de pessoal. Reportagem da FOLHA coloca o tema à comissão especial criada para elaborar a resolução. A comissão especial responde que não havia necessidade de incluir no texto a proibição relativa à verba de pessoal porque ela já não seria paga ao ''deputado-secretário''.
JULHO DE 2009
- Com base num levantamento realizado em Diários Oficiais da Assembleia Legislativa, Reportagem da FOLHA revela que entre o segundo semestre do ano passado até agora os ''deputados-secretários'' Nelson Garcia e Ênio Verri utilizaram normalmente a verba de pessoal. Nos documentos obtidos estão publicadas nomeações e exonerações de funcionários para os ''deputados-secretários''.
Fonte: Redação.


