AL acompanha denúncias contra Hermas
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terça-feira, 09 de dezembro de 1997
Leandro Donatti 
Curitiba
Arquivo FolhaArticulaçãoFlorisvaldo Fier, Dr. Rosinha: É um movimento político criado para inocentar o Hermas BrandãoA Assembléia Legislativa vai instalar uma comissão especial de deputados para acompanhar a investigação das denúncias de desvio de dinheiro público do Programa de Apoio à Pequena Propriedade, levantadas pela Câmara Municipal e Ministério Público de Faxinal (município da região do Vale do Ivaí), e que envolvem o secretário da Agricultura, Hermas Brandão (PTB); o deputado estadual Milton Pupio (PTB); e o ex-prefeito Dirceu Dutra Guerra (PDT). O anúncio foi feito ontem pelo presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), que se antecipou à votação de hoje, marcada para analisar a proposta assumida pelo líder do governo, Valdir Rossoni (PTB).
A comissão especial será integrada por cinco parlamentares: três do governo e dois da oposição. A oposição diz que a comissão funcionará como cortina de fumaça. A intenção final seria tirar o secretário da Agricultura do centro das atenções. Os aliados de Hermas Brandão no Legislativo estariam dispostos a pôr um ponto final na questão, para neutralizar eventuais desdobramentos. A estratégia poderia ainda aliviar o desgaste político sofrido pelo secretário desde a semana passada, quando o senador Roberto Requião (PMDB) aproveitou uma reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado - sobre empréstimos do Paraná - para preparar o vazamento das investigações do MP e dos vereadores de Faxinal.
O presidente da Assembléia disse ontem que avocou para si a responsabilidade pelo caso por estarem envolvidos dois parlamentares. Brandão está licenciado do Legislativo desde janeiro de 95, quando foi designado secretário de Lerner; e Milton Pupio foi eleito em 94. Não há processo nenhum contra os dois. O que há são apenas insinuações, defendeu Aníbal Khury. Para ele, não há motivos para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), como articulam as bancadas do PMDB, PSDB, PT e PSN.
A comissão especial terá 15 dias para elaborar um relatório sobre o caso. A base governista derrubou ontem uma proposta do PT, que defendia instalação de uma auditoria no Tribunal de Contas do Estado. Os petistas queriam estender as investigações do caso Faxinal para o programa de readequação das estradas, que já sofre uma operação pente-fino por auditores do TC. O Tribunal de Contas é um órgão auxiliar da Assembléia. Enquanto eu for o presidente, não há motivos para uma CPI, reagiu Khury, que ameniza as denúncias contra o secretário. Como se todos os desfalques do País fossem de R$ 15 mil, ironizou, numa referência ao cheque de R$ 15 mil rastreado pela Justiça de Faxinal e que teria ido parar na conta pessoal de Brandão.
Para a oposição, a instalação de uma comissão especial não irá resolver o problema. O deputado Florisvaldo Rosinha Fier do Partido dos Trabalhadores disse ontem que uma comissão nesses moldes não tem poderes para quebrar sigilo bancário nem requisitar documentos tidos como fundamentais. É um movimento político para inocentar o Hermas (Brandão), diz. O deputado também afirma que a escolha dos integrantes da comissão sequer leva em conta a proporcionalidade das bancadas na Assembléia Legislativa. A maioria será composta pela situação.


