Arquivo FolhaMichiko e Hiroito: quebra do protocolo e educação pessoal dos filhosQuando nasceu, em 23 de dezembro de 1933, o imperador Akihito já tinha sua vida traçada: seria o 125º deus vivo a ocupar o trono japonês, continuando a linhagem da família iniciada há 2.600 anos. Mas a derrota do Japão na 2ª Guerra Mundial mudou essa condição. Ele passou a ser um simples herdeiro ao trono de uma monarquia constitucional. Akihito assumiu o posto em 1989, quando seu pai, o imperador Hirohito, morreu. Akihito e sua esposa, a imperatriz Michiko, inciaram ontem por Belém, Pará, uma visita oficial de nove dias ao Brasil. Na sexta-feira eles chegam em Curitiba, onde ficam até domingo.
Aos 3 anos, seguindo a tradição vigente em seu país, foi levado a viver em um palácio distante dos pais, para ser educado. Nobres, sábios e a tutora norte-americana Elizabeth Gray Vining cuidaram de sua formação. Mas sua educação não foi ortodoxa. Ele frequentou um colégio fora do palácio imperial e manteve contatos com o povo. Os resultados dessa formação são visíveis: o imperador nunca hesitou em romper as tradições.
A quebra do rígido protocolo começou com seu casamento. Ao casar-se com uma plebéia, Michiko, filha de um poderoso industrial, em 10 de abril de 1959, ele ignorou o costume de mais de 2 mil anos que proibia herdeiros do trono de unirem-se a pessoas sem sangue nobre.
Na época, ocorreu um boom na venda de televisores. Os fabricantes de aparelhos de TV inundaram o país com anúncios ‘‘Você não pode perder a boda. Compre uma televisão.’’ O apelo fez sucesso. Em 1958, havia menos de 2 milhões de aparelhos no Japão. No ano seguinte, esse número saltou para 4,1 milhões.
A segunda quebra do protocolo ocorreu com o nascimento do primeiro filho do casal, Naruhito - hoje com 37 anos. Akihito e Michiko decidiram que a criança viveria junto com a família e seria educada pelos pais, não por uma série de preceptores. O casal teve mais dois filhos: o príncipe Akishino, de 31 anos, e a princesa Sayako, de 27 anos.
Ao contrário de seus ancestrais, o imperador Akihito fez uma série de viagens ao Exterior. A primeira delas foi em 1953, quando representou o imperador Hirohito na coroação da rainha Elizabeth II. Depois das cerimônias, Akihito visitou outros 14 países. Depois de casado com a imperatriz Michiko, visitou 43 países acompanhado por ela, a convite dos governantes.
Como seu pai, o imperador se interessa por biologia marinha. Há anos dedica-se ao estudo classificatório dos peixes do tipo gobídeo. Como integrante da Sociedade Ictiológica do Japão, Akihito já publicou 26 trabalhos com os resultados de seus estudos.
Para o imperador, ‘‘um dia sem praticar esportes é semelhante a uma refeição sem arroz’’. Entre as práticas esportivas favoritas estão a equitação e o tênis. A imperatriz é apreciadora de literatura. Compõe poemas tradicionais japoneses tem interesse pela literatura infantil.
Os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao Brasil em junho de 1908, a bordo do navio Kasato-Maru. Eram 800 pessoas, que se dirigiam ao interior do Estado de São Paulo para trabalhar em fazendas de café. Hoje, quase 90 anos depois, os nikkeis _ japoneses e seus descendentes _ já são 1,3 milhão de pessoas. A maioria continua concentrada no Estado onde, estima-se, vivem 1 milhão de nikkeis. No entanto, o perfil da colônia mudou. Segundo levantamento feito pelo Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, apenas 10% dos japoneses e seus descendentes ainda residem na zona rural.
ColôniaA renda dos integrantes da colônia é maior do que a média do País. Na faixa superior a 20 salários mínimos, por exemplo, os proventos das famílias nipo-brasileiras superam em três vezes a média nacional. A ocupação também revela diferenças. Enquanto cerca de 66% da população brasileira trabalha na condição de empregado, apenas 49,9% dos nipo-brasileiros têm essa classificação. Pelo levantamento, 15,46% dos integrantes da colônia são empregadores, quase cinco vezes mais do que a média geral da população: 3,47%.
De acordo com os dados do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, a miscigenação tem se tornado cada vez mais constante, de geração para geração. Em 1988, havia no Brasil 30,85% de nisseis (segunda geração), 41,33% de sanseis (terceira geração), 12,95% de yonseis (quarta geração) e 0,28% de gosseis (quinta geração). Dos nisseis, os mestiços eram 0,3%. A porcentagem aumenta nos sanseis: 42%. Entre os integrantes da quinta geração, 61,62% são mestiços.
Leia mais sobre a visita do casal imperial japonês no caderno Folha Reportagem

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