Ajustes marcaram primeiro mês de Nedson
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domingo, 04 de fevereiro de 2001
Lúcio Horta De Londrina 
Os primeiros 30 dias da administração do petista Nedson Micheleti em Londrina foram marcados por uma série de ajustes da máquina e também por polêmicas, algumas que martelaram na cabeça do prefeito durante quase todo o mês. O petista recebeu a prefeitura das mãos do prefeito-tampão Jorge Scaff (PSB). Mas o que encontrou foram os resquícios da administração do prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido), acusado de provocar o maior rombo da história do município.
Pegamos a prefeitura com um endividamento muito grande, de R$ 530 milhões, equipamentos em estado precário, nada funcionando direito. E uma dívida social elevada, com falta de atendimento nas bairros, problemas nas creches. Sem contar o atraso no salário de dezembro, observou. Então a prioridade foi o ajuste e uma economia pesada. Para piorar, só começaram a entrar recursos no caixa no final do mês, a partir do dia 22, com o início do pagamento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), listou o prefeito.
Um dos principais avanços, segundo Nedson, foi a negociação da dívida da Companhia de Habitação (Cohab) com a Caixa Econômica Federal cerca de R$ 300 milhões executados na Justiça. A prefeitura se comprometeu a fazer depósitos mensais para abater a dívida e conseguiu a liberação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) um reforço de caixa de aproximadamente R$ 700 mil mensais e que estava sendo retido há mais de um ano.
Para este mês, o prefeito tem planos de consertar parte do maquinário e investir no aspecto visual da cidade. Vamos fazer uma limpeza geral, cortar o mato. É uma situação desagradável, você não ter condições nem de consertar uma roçadeira, lamentou. O prefeito também espera, com o fim do recesso parlamentar, no dia 15, enviar os primeiros projetos de lei do Executivo que serão apreciados pela Câmara. São projetos que servirão para aprofundar o processo de ajuste mas que ainda estão em fase de estudos, despistou.
Outra questão que deverá tomar boa parte do tempo de Nedson será a possível privatização da Sercomtel Celular. O prefeito montou uma equipe de estudos, coordenada pelo presidente da empresa, Francisco Roberto, para avaliar as condições de mercado e identificar qual é o caminho mais viável: vender as ações da prefeitura (45% delas já pertencem à Copel) ou insistir na disputa do mercado, mesmo com a abertura da concorrência. Minha intenção é manter como empresa pública. Mas não podemos arriscar. Ninguém pode brincar com um patrimônio desse tamanho, destacou.
Para o prefeito, apesar de todas as polêmicas e dificuldades, o que marcou o primeiro mês da administração foi a forma como a população de Londrina passou a encarar a administração municipal. A cobrança e a expectativa são grandes. E nós temos sentido que a população tem gostado da forma participativa do nosso governo, até pela facilidade de conversar com os secretários. Mesmo vendo que não tem dinheiro para muita coisa. Isso anima e estimula fazer um governo aberto.


