Ajuste vai cortar verbas dos três Poderes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de outubro de 1998
Leandro Donatti 
O ajuste fiscal preparado pelo governo federal para enfrentar a crise no mercado financeiro está causando apreensão nos Três Poderes do Paraná. As cúpulas do Executivo, Legislativo e Judiciário aguardam com apreensão o anúncio do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para estudarem a implantação de medidas administrativas que venham a enxugar a máquina pública, evitando desperdícios e cortando despesas acessórias.
O secretário do Planejamento, Miguel Salomão, está há semanas fazendo simulações econômicas. Ele disse ontem que enquanto o governo federal não se manifestar fica difícil para o governo do Paraná fechar a sua estratégia. Temos apenas esboços, assinalou. O secretário citou o desafogamento da folha de pagamento com aposentados - via fundo previdenciário - como ponto nevrálgico para o equilíbrio das finanças.
Salomão espera que a equipe econômica do governo federal negocie com o Fundo Monetário Internacional (FMI) recursos para o financiamento de reservas técnicas para o funcionamento desses fundos previdenciários. Desenvolvido pelo secretário especial para Assuntos Previdenciários, Renato Follador Júnior, para funcionar, o fundo previdenciário do Paraná exige aporte inicial de R$ 500 milhões.
Para enfrentar a crise, o governo conta com um ressarcimento financeiro devido pela União, informou o secretário do Planejamento. Salomão referiu-se a uma compensação - calculada em R$ 2,3 bilhões - referente à transformação de funções celetistas (regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho) em estatutárias, durante o governo do senador Roberto Requião (PMDB). Foi uma despesa com que tivemos de arcar, disse.
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), quer cortar em 10% as despesas do Poder Legislativo. Segundo ele, a medida significará uma economia de R$ 12 milhões ao ano, cerca de R$ 1 milhão por mês. Temos que entrar numa economia de guerra e investir só no essencial, pregou o deputado. Ele disse ontem que a situação financeira exige que os governos caminhem por suas próprias pernas.
Khury defendeu um avanço nas privatizações. O que for de estatal deve ser privatizado, disse, ao defender um enxugamento de pessoal. A cada cinco servidores que se aposentam, o governo deve contratar apenas um, opinou. Khury criticou a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), em substituição ao ICMS, ISS e IPI. As experiências de centralização tributária no Brasil não se revelaram positivas, apontou.
O presidente do Poder Judiciário, desembargador Henrique Lenz César, disse à Folha ontem que está apreensivo com o pacote fiscal prometido pelo governo federal. Não temos mais nada o que enxugar, somente as goteiras em nossos prédios, ironizou. O desembargador informou que o défict do Judiciário do Paraná está em R$ 4 milhões, mais de 50% referente a gastos com Copel, Sanepar e Telepar.
Lenz César afirmou ter dificuldades em efetuar cortes neste momento. O Tribunal tem carência de verbas. Temos 150 prédios públicos para conservar, quatro mil funcionários para manter e o nosso material de expediente está escasso, considerou. Para o desembargador, o Fundo de Reequipamento do Poder Judiciário (Funrejus) é a esperança para sair do vermelho. Tentaremos resgatar uma parte imóvel do Tribunal, disse.


