O presidente Fernando Henrique Cardoso continua com a intenção de divulgar no dia 20 o programa plurianual de ajuste fiscal, garantiu ontem um assessor do Palácio do Planalto. As realização do segundo turno das eleições nos Estados não deverá constituir um obstáculo ao anúncio do programa de metas para o desempenho das contas públicas nos próximos três anos, na avaliação do mesmo assessor.
O funcionário disse, ainda, que o governo analisa com ‘‘naturalidade’’ as pressões que começaram ganhar corpo mais fortemente nos últimos dias com a discussão de algumas medidas, como o corte de despesas, elevação da alíquota da CPMF e a possibilidade de aumento impostos. ‘‘Estas pressões já eram esperadas e são encaradas com naturalidade’’, disse. A visão do governo é que em função do momento de urgência para definição do ajuste fiscal haverá um conseno nacional para sua aprovação, pelo Congresso, diminuindo as resistências.
É justoO presidente do PPB e governador eleito em Santa Catarina, Espiridião Amin, saiu ontem do Palácio da Alvorada convencido de que as propostas de ajuste fiscal serão justas. ‘‘Será cobrado mais de quem tem mais’’, disse Amin, depois de se reunir com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Amin definiu a crise financeira do País como uma doença e admitiu que o aumento de impostos poderá ser o remédio. ‘‘Mas quem decide é a junta médica que, no caso, é o Congresso’’.
Eleito para o governo de Santa Catarina, Espiridião disse que não terá de fazer muitos cortes no cofre do Estado, porque não há muito investimento. Ele afirmou, entretanto, que a duplicação da BR-101 está garantida. Como presidente do PPB, Amin disse que o partido está bem representado no atual governo, com os ministros da Agricultura, Francisco Turra, e da Indústria e do Comércio, José Botafogo Golçalves. Ele disse ainda que tem certeza de que o presidente prestigiará o partido em seu segundo mandato.
AntesO candidato ao governo do Rio de Janeiro, César Maia, que disputará o segundo turno no dia 25, disse ontem que apresentou em Brasília algumas sugestões ao presidente, dentro das propostas de ajuste fiscal. Entre elas, a troca da dívida mobiliária residual dos estados e municípios pela dívida contratual.
O candidato disse ser favorável ao anúncio das medidas de ajuste antes do segundo turno para permitir o debate entre os candidatos. Ele informou, entretanto, que o presidente lhe garantiu que o conjunto de medidas ainda não está definido. Maia disse ser contrário a proposta de aumento de impostos que, segundo ele, pode provocar a evasão fiscal. No caso da CPMF e da possibilidade de aumento da alíquota e de prorrogação da cobrança, o candidato define como uma contribuição circunstancial.
Maia gravou ontem no Palácio da Alvorada, um pronunciamento do presidente Fernando Henrique Cardoso de apoio a sua candidatura.Ed Ferreira/Agência EstadoJustiçaFHC com Amin: será cobrado mais de quem tem mais
Adriana Fernandes
Agência Estado

mockup