Ajuste pode interferir no Banestado
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, passou o dia ontem em Brasília acompanhando de perto o alcance do anuncio feito pelo ministro Pedro Malan, sobre o ajuste fiscal. Gionédis foi certificar-se ainda de que as medidas de contenção não vão interferir o processo de privatização do Banestado, já em andamento. Em troca da entrega do Banco à iniciativa privada até junho do ano que vem, o governo federal compromete-se a injetar R$ 3,7 bilhões para o saneamento da instituição.
A proposta não chegou ainda na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O senador Osmar Dias (PSDB) disse que o governo corre o risco de perder a oportunidade de legalizar o acordo firmado entre Jaime Lerner (PFL) e a cúpula do BC, em julho deste ano. A resolução que prevê o socorro aos bancos estaduais acaba no dia 31 de dezembro, ressaltou. A Secretaria da Fazenda não soube informar ontem se Gionédis iria levar ao BC os últimos 12 balancetes do governo.
A assessoria do BC informava na semana passada que a proposta estava emperrada pela pendência da papelada. Giovani Gionédis garantiu na última terça-feira, numa rápida entrevista por telefone, que os balancetes mensais já foram enviados e que o governo do Paraná já cumpriu com a sua parte. O BC informou ontem à Folha que as medidas anunciadas pelo ministro Malan não atingem, pelo menos numa primeira análise, os recursos destinados para ajuda de bancos estaduais.
Outra preocupação que levou o secretário da Fazenda ontem a Brasília diz respeito ao orçamento do Paraná para o ano que vem. Técnicos da Fazenda e do Planejamento estão de prontidão. O anúncio de corte de R$ 8,6 bilhões na proposta orçamentária a ser enviada na semana que vem ao Congresso Nacional pode levá-los a refazer o orçamento do Paraná, já entregue para a análise da Assembléia Legislativa.
O secretário do Planejamento, Miguel Salomão, disse que a feitura ou não de novo orçamento depende do alcance dos cortes preparados pelo governo federal. Só produziremos nova peça se nos for exigido nova LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e outro Plano Plurianual, considerou Salomão. O secretário alertou ainda que não se tem notícia se o corte vai atingir as transferências federais previstas para cada estado. (L.D)





