Brasília - O governo Luiz Inácio Lula da Silva concentrou nas empresas estatais - ou seja, nos investimentos - o ajuste orçamentário anunciado ontem para permitir o aumento do esforço fiscal, cujo objetivo principal é auxiliar no combate à inflação. Ao todo, entre previsões mais generosas para as receitas e novos limites para as despesas, espera-se aumento de R$ 14,2 bilhões do superávit primário, a economia destinada ao abatimento da dívida pública, que passará de 3,8% para 4,3% do Produto Interno Bruto. Menos de um quinto desse valor, porém, será obtido por meio de cortes efetivos nos gastos com pessoal, custeio administrativo e programas sociais.
A medida principal é a elevação do valor dos dividendos a serem pago pelas estatais ao Tesouro Nacional, que passarão dos R$ 9,5 bilhões estimados inicialmente para R$ 14,5 bilhões.
Graças ao expediente, o governo pôde minimizar a necessidade de reduzir as despesas da Presidência e dos ministérios. Embora tenha sido divulgado um ajuste de R$ 8,2 bilhões nos gastos, o corte efetivo não chegará a um terço desse valor. Estão mencionados apenas cortes de impacto ínfimo em um Orçamento de mais de R$ 700 bilhões: nas despesas com passagens, diárias, publicidade e propaganda, com impacto total de R$ 130 milhões.

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