O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que tomou medidas de contenção fiscal independentemente das eleições. ‘‘Quem é que duvida que o governo da República hoje é capaz de tomar decisões? Não importa se vai ter eleição amanhã ou depois. Mais importante do que as eleições é o Brasil’’, disse ele.
FHC falou sobre as medidas fiscais - anunciadas na manhã de ontem pelos ministros Pedro Malan (Fazenda) e Paulo Paiva (Planejamento) - durante a cerimônia de lançamento do Programa Especial de Exportação, no Palácio do Planalto. Participaram da solenidade vários ministros e empresários brasileiros e estrangeiros.
‘‘Nós não vamos nos deixar ser aprisionados por uma precipitação ou por um turbilhão que eventualmente pode estar ocorrendo aqui ou ali, nós vamos buscar nosso rumo com muita energia’’, afirmou FHC.
Como fez ontem, FHC apelou novamente para que os países desenvolvidos ajam de acordo com uma ‘‘globalização solidária’’. A expressão, criada por ele, foi definida ontem pelo próprio presidente: ‘‘É uma globalização que não seja só unilateral, que sirva somente para que venham vender aqui e que nós não possamos vender lᒒ.
Segundo o presidente, o contrário disso ‘‘não é globalização, é um esquema de perpetuação de todas as assimetrias internacionais . ‘‘Contra isso nós sempre nos rebelamos e vamos continuar a nos rebelar’’, disse ele. FHC citou o crescimento das indústrias nacionais em vários setores - automotivo, agroindustrial e calçadista - como demonstração de que há chances de o governo concretizar a meta de atingir US$ 100 bilhões em exportações em 2002.
Hora certaPara o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), caberá ao Congresso, soberanamente, definir as áreas onde o governo federal vai cortar despesas para enfrentar a crise. Segundo ACM, o corte, que objetiva reduzir o déficit público e arrumar a casa para captar investimentos estrangeiros, será de R$ 4 a 5 bilhões e não de R$ 20 bilhões como se chegou a especular. ‘‘Examinei as medidas e posso dizer que o Congresso vai apoiar a posição do Executivo’’, disse o senador, elogiando ‘‘a coragem e o espírito de decisão’’ do presidente da República Fernando Henrique Cardoso. ‘‘São medidas patrióticas e adotadas na hora certa’’.
Ele garantiu que o governo não vai fazer nada que afete diretamente o bolso da população. ‘‘Se quer alcançar o quantitativo fixado no corte, os setores atingidos serão discutidos pelos parlamentares’’, insistiu. ‘‘Todo sujeito que tem uma posição política tem de ter habilidade para encontrar os caminhos, sobretudo nas horas difíceis, senão não é digno de representar o povo.’’
Na visão do senador, ao contrário da crise de novembro do ano passado, quando o governo não teve muito tempo para agir, agora foi possível examinar detidamente todos os aspectos do problema. ‘‘O governo fez estudo comparativo com outros países, consultou autoridades monetárias internacionais’’, contou ACM, acreditando que o povo brasileiro vai entender as medidas. ‘‘A população vai colaborar, pois não quer ser enganada’’, disse, informando que o Congresso vai examinar a MP do ajuste a partir de 5 de outubro, depois das eleições.
No Paraná, o governador Jaime Lerner (PFL) avaliou o pacote como ‘‘necessário e fundamental’’ para a economia do País. Para o governador Jaime Lerner, o ponto mais importante do pacote foi o fato de o governo federal ter poupado a população. ‘‘As medidas não representam sacrifício para as pessoas’’, afirmou Lerner. Ele enfatizou que o governo acertou ao não determinar o aumento das taxas de juros, ao contrário do que fez em outubro do ano passado. (Colaboraram Biaggio Talento/Agência Estado e Carmen Murara).

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