Ajuste é tiro no pé, diz Ciro
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segunda-feira, 14 de setembro de 1998
Agência Estado 
O candidato do PPS à presidência da República, Ciro Gomes, voltou a criticar ontem as medidas econômicas adotadas pelo governo para tentar evitar a fuga de capitais e a desvalorização do real. Em uma explanação sobre o seu programa de governo na sede do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), em São Paulo, Ciro afirmou que o governo adotou medidas paliativas. Na verdade, é um tiro no pé, põe o País de joelho diante dos agiotas internacionais, disse.
Segundo Ciro, as medidas elevarão a dívida do País. O Brasil passará a pagar por mês mais R$ 7 bilhões de juros para uma arrecadação mensal de R$ 13 bilhões, isso significa que em um ano serão R$ 170 bilhões de juros para uma arrecadação de R$ 140 bilhões, e isso evidentemente não é sustentável, disse.
O candidato propõe que a manutenção da estabilidade do real e do capital externo no País deveria ser feita com o ataque direto às causas do problema: o profundo endividamento e as contas públicas. Para solucionar esses problemas precisaríamos mobilizar a sociedade para a adoção de um novo modelo de tributação e de financiamento da Previdência Social, disse.
Em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, Ciro comparou a sua campanha a um ato de rebeldia e afirmou que a sua candidatura é uma alternativa aos que têm medo de perder a estabilidade trazida pelo real, da crise e de Lula.
Ciro Gomes também reclamou da censura que diz estar sofrendo por parte dos meios de comunicação.


