Ajuste da Previdência fica para 1998
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domingo, 07 de dezembro de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
Mesmo que as mudanças na Previdência Social sejam feitas somente em 1998, o Brasil precisará de uma nova reforma em cinco anos. A previsão foi feita anteontem em Londrina pelo ministro Reinhold Stephanes para quem o Congresso não está votando a reforma da Previdência, mas apenas ajustes. E eles deveriam ter sido feitos há 10, 15 anos, defendeu.
A reforma tramita no Congresso há três anos. Pouco se avançou e ela corre o risco de ser aprovada apenas em abril do ano que vem. A menos que o Congresso faça sessões extraordinárias, conforma-se Stephanes, que evitou críticas aos deputados e senadores. Temos que entender que o assunto é difícil, complexo e o Congresso tem tido uma carga muito grande de trabalho, alegou. Stephanes tem pelo menos dois bons motivos para não criticar o Congresso - é deputado licenciado do cargo e pré-candidato ao Senado.
Ele espera que a reforma seja aprovada na Comissão de Constitutição e Justiça (CCJ) da Câmara na próxima quarta-feira. O texto passará em seguida pela análise de uma comissão especial, cujo trabalho deve levar de 30 a 60 dias. Só depois a reforma será votada no plenário.
Na sexta-feira, Stephanes esteve em Londrina para fazer uma palestra sobre Perspectiva da Seguridade Social e as Relações do Trabalho, no Crystal Palace Hotel. Ele veio a convite da Universidade Estadual do Londrina para encerrar o seminário sobre Globalização da economia e as novas relações entre o capital e o trabalho.
Antes da palestra, ele participou de um programa ao vivo nas rádios CBN/Tabajara, de Londrina e, durante uma hora, respondeu às dúvidas de ouvintes, principalmente sobre aposentadoria e pensão.
Ele reconhece que a morosidade na votação da reforma só contribui para aumentar os prejuízos da Previdência, que este ano deverá ter um déficit de R$ 2 bilhões e R$ 5 bilhões previstos para 98. Mesmo aumentando a arrecadação e combatendo as fraudes, a tendência é de déficit da Previdência, admitiu.
Stephanes admite que estuda medidas futuras para ampliar a receita previdenciária - uma delas está na solução para o mercado informal (mesmo que crie postos de trabalho, esse mercado não contribui para a Previdência Social); e o fim da isenção fiscal para instituições filantrópicas nas áreas de educação e medicina. Esses funcionários um dia vão se aposentar. Em nenhum lugar do mundo há esse tipo de isenção, criticou.
Para ele, a reforma promove um maior equilíbrio social. Hoje, da forma que está, o pobre financia o rico, aponta. Como pontos importantes na reforma, ele destaca o limite das aposentadorias em R$ 8 mil, salário do presidente Fernando Henrique Cardoso. Com os ajustes, tiramos dos mais ricos para dar aos mais pobres, assinalou. Apesar disso, ele descartou qualquer reajuste para o salário mínimo.
O ministro diz que o INSS está com um trabalho intenso de combate às fraudes, mas assume que a recuperação do que foi roubado é difícil. Recuperamos 50 milhões, mas é a dificuldade é grande. Segundo ele, na década de 80 entre 7 e 10% do volume de gastos da Previdência eram desviados. Agora esse índice caiu para um por cento, no máximo. Ele reconhece que ainda há formas de burlar o Instituto, principalmente com laudos falsos, carteiras de trabalho adulteradas e pequenas fraudes pulverizadas.
O ministro disse ainda que em nenhum momento propôs a extinção dos benefícios para os aposentados e os portadores de deficiência física. Segundo Stephanes, o que a Previdência fez foi transferir o exame para avaliação das condições de saúde dos beneficiários para a perícia da própria Previdência. Havia uma grande facilitação por parte de alguns médicos no momento da perícia. Era quase uma fraude. Agora esse exame passa a ser feito pela perícia da Previdência. (Colaborou Carina Paccola)


