Ajuda impediu quebra geral, diz BM&F
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Liliana Enriqueta Lavoratti Agência Estado 
O superintendente da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), Edemir Pinto, declarou ontem na CPI dos Bancos que se os bancos Marka e FonteCindam fossem declarados inadimplentes pela instituição em janeiro, durante a mudança da política cambial, haveria risco de uma crise sistêmica - a possibilidade de quebra em cadeia de outros bancos.
A liquidação compulsória dos contratos dos dois bancos não era problema porque as garantias depositadas cobriam todas as operações sem recorrer às garantias das corretoras e nem da Bolsa. Mas antes de executar as garantias, era preciso declarar a inadimplência dos bancos. E qualquer inadimplência é sempre danosa e gera intranquilidade no mercado, argumentou Edemir.
Segundo o superintendente, foi essa preocupação que a BM&F transmitiu ao Banco Central (BC), formalizada em uma carta solicitida pela chefe interina de Fiscalização, Teresa Grossi, somente no dia 15 de janeiro - e, portanto, depois da decisão de socorrer o Marka e o FonteCindam, ocorrida no dia 14.
Durante as mais de cinco horas de depoimento no Senado, os diretores da BM&F insistiram na tese de que a operação de socorro ao Marka e FonteCindam não foi sugerida nem solicitada pela Bolsa ao BC. A decisão de ajudar o Marka e o FonteCindam foi exclusiva do BC porque a Bolsa não tinha motivos para se preocupar com esses dois casos, afirmou o presidente da instituição, Manoel Felix Cintra Neto. Ele ressaltou que dos R$ 70 milhões de garantias depositadas pelo Marka em 12 de janeiro, 95% eram constituídos de títulos públicos federais, considerados os mais apropriados.
A BM&F desconhecia o voto 186, aprovado em outubro de 1997 pelo Conselho Monetário Nacional, que autorizou a BB-DTVM - que opera no mercado futuro de dólar em nome do BC - a extrapolar o limite individual de 15% existente para movimentação na Bolsa, segundo revelou Cintra Neto. A CPI apurou que a corretora excedeu em 45% esse limite durante o período de 12 de janeiro a 2 de fevereiro nas vendas de dólares no mercado futuro. Somente com o depoimento do ex-presidente do BC, Francisco Lopes, à Polícia Federal, tomamos conhecimento do voto do CMN excepcionalizando a BB-DTVM. Antes só sabíamos que o governo estava se preparando para operar em defesa da moeda, acrescentou Cintra Neto.
Um ponto da operação de socorro ao Marka e ao FonteCindam que gerou mais questionamentos por parte dos senadores à direção da Bolsa foi o fato de a venda de dólares no mercado futuro, a taxas subsidiadas, ter ocorrido fora do pregão.
Segundo o superintendente Edemir Pinto, o Estatuto da BM&F dá competência para o superintendente geral estabelecer as normas e procedimentos especiais para qualquer operação e liquidação de financeira de contratos negociados. O estatuto permite à Bolsa adotar procedimentos especiais fora do pregão, disse.


