Curitiba - O tesoureiro da campanha de Angelo Vanhoni (PT) à prefeitura de Curitiba, Maurício Cheli, negou ontem que o diretório nacional do partido tenha repassado dinheiro ao comitê do candidato no segundo turno das eleições do ano passado. A afirmação de que o PT teria ajudado financeiramente campanhas municipais em todo o país partiu do tesoureiro nacional do partido, Delúbio Soares, em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Correios.
Segundo Cheli, a ajuda do diretório nacional resumiu-se à realização de showmícios na capital paranaense e estariam registradas na prestação de contas enviadas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Na documentação, o diretório nacional aparece em doações estimadas que somam cerca de R$ 240 mil na última semana de outubro. A data coincide com a realização do showmício do Jota Quest, às vésperas do segundo turno. Pela contabilidade, o show teria sido pago pela direção nacional do PT.
Cheli também desmentiu a versão publicada em alguns jornais de que a campanha de Vanhoni teria custado apenas R$ 1,7 milhão. ''O que aconteceu é que montamos dois comitês separados para a eleição: um do candidato e outro do partido. Agimos dessa maneira porque alguns colaboradores preferem fazer a doação diretamente ao candidato, e outros preferem doar ao partido. Se somarmos as despesas de R$ 3,2 milhões feitas pelo comitê partidário, temos cerca de R$ 4,9 milhões, que foi o dinheiro gasto na campanha'', explicou. A doação estimada em dinheiro feita pelo diretório nacional foi contabilizada no comitê partidário.
Somando o prejuízo acumulado nos dois comitês, a dívida de campanha petista atinge pouco mais de R$ 1 milhão. Cheli afirma que as dívidas foram repassadas ao diretório municipal do partido. ''Essas dívidas incluem o pagamento do escritório de publicidade ligado ao Duda Mendonça, que ainda estão nos restos a pagar. Não havia nenhum acordo para que a direção nacional quitasse essa dívida, até onde eu sei'', ressaltou Cheli. O escritório de Mendonça (Comunicação e Estratégia Política Ltda) representou grande parte dos gastos da campanha petista. Um pagamento único, na data do segunto turno (29 de outubro) atingiu R$ 400 mil.
Apesar da separação da contabilidade em dois comitês ser justificada pelas doações, em três oportunidades o comitê partidário teve que fazer um aporte de verbas às contas do comitê de Vanhoni. Nos dias 27 de agosto e 21 de setembro de 2004, o comitê partidário repassou respectivamente R$ 50 mil e R$ 30 mil. No dia 29 de setembro, um novo repasse de R$ 99,5 mil foi feito ao comitê, mas o site do TRE não registra o dinheiro na lista de receitas do comitê de Vanhoni.

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