Santiago do ChileO ex-coronel argentino Mohamed Seineldin, chefe dos ‘‘caras-pintadas’’ que tentaram um golpe de Estado em 1991 nesse país, afirmou ontem que o Chile teve ‘‘um papel decisivo’’ no triunfo britânico na Guerra das Malvinas. ‘‘O Chile aumentou o poder da Grã-bretanha, fato decisivo na luta’’, afirmou Seineldín em declarações à Rádio Cooperativa de Santiago na prisão militar de Campo de Maio, Buenos Aires, onde cumpre prisão perpétua pela tentativa de golpe há 11 anos.
O ex-oficial, que combateu na guerra que a Argentina travou com o Reino Unido, em 1982, para recuperar as ilhas do Atlântico sul, disse que a ajuda chilena aos britânicos consistiu principalmente em relatórios de inteligência, elaborados a partir de radares espiões.
Nesse sentido, concordou com o que o ex-chefe da Força Aérea do Chile, Fernando Matthei, declarou há duas semanas, de que o apoio aos britânicos foi feito por essa vertente militar e num sigilo tal que nem o presidente Augusto Pinochet sabia.
Matthei declarou também que a ajuda foi motivada por ‘‘presentes’’ que o Chile recebeu da Grã-Bretanha, como aviões-espias e caça-bombardeios.
‘‘Quem estava no campo de batalha sabia que quando a aviação argentina se movimentava, a frota (britânica) também saía, e assim liquidaram grande parte dos nossos aviões. Lamentavelmente, isso (a ajuda chilena) está perfeitamente comprovado’’, afirmou Seineldín, autor do livro ‘‘Malvinas, um sentimento’’.
Os argentinos, acrescentou, nunca esperaram essa atitude do Chile. ‘‘Quando o Chile começou a dar informações à Grã-bretanha, sofremos uma grande decepção’’, ressaltou.
A 20 anos do conflito, ‘‘só resta ao Chile e à Argentina a reconciliação, porque a América Latina está passando seu momento mais cruel e será anexada pouco a pouco ao imperialismo anglo-norte-americano’’, afirmou.

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