Ainda a Vale
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Ainda a Vale
Enquanto o governo hesita em destituir a diretoria da Vale, esta se mostra viva em gestão de crise ao determinar a desativação dos reservatórios com modelo igual ou assemelhado ao de Brumadinho. Mais rápida no cronograma, mostra-se em evidência num momento em que tudo conspira. O ato burocrático, mas contundente da prisão de engenheiros que atestaram como segura a barragem rompida é um acréscimo no drama das operações de buscas cada vez mais com menor esperança.
Ao governo, responsável maior por tudo, que na prática mostrou a impropriedade do seu discurso contra as delongas na liberação de licenciamentos ambientais. Nessa questão, outra inocuidade: as multas aplicadas não são pagas, alvo de recursos administrativos e judiciais como se nota no episódio de Mariana e que se repetirá agora. Conforme um relato do Ibama, alusivo ao Paraná, em quatro anos, apenas 1,1% das multas foram pagas.
Numa quadra dessas, pretender facilidades na concessão de licenças é algo como lançar fogo na gasolina, e como se trata de responsabilidade pública não cumprida ou dificultada, mais uma vez se acentua a responsabilidade estatal, da mesma forma que ela está presente nas falcatruas da Petrobras devassadas pela Lava Jato.
Agressão
Por incrível que possa parecer, o Paraná apareceu nos primeiros lugares do ranking da devastação da mata atlântica e apesar da surpresa dos números tivemos a aprovação da rodovia litorânea, que viabilizará o porto privado da Ponta do Poço. Foi mais uma daquelas concessões como tantas, dadas como normalíssimas do receituário do pedágio, ora finalmente evidenciado em sua abrangência pelo Ministério Público Federal na denúncia que levou Beto Richa à prisão pela segunda vez.
Tanto o Ministério Público estadual como entidades conservacionistas alertaram que apreciável porção de mata atlântica será devastada, o que se comprova, mais uma vez, que não sabemos encontrar o ponto de equilíbrio nessas situações. Só tomamos consciência dessas omissões quando as tragédias de Minas Gerais nos impactam.
Emagrecer como?
A diretriz do governo está, em princípio, firmada: aplica-se a desestatização geral e os salvos da operação como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal serão submetidas a uma lipoaspiração até ficarem magrinhas, conforme o relato de Salim Mattar, secretário especial de Desestatização e Desinvestimento. Subsidiárias das três salvas do arremate serão vendidas.
Como decisões estratégicas desse porte tenderão a ser decalcadas em outros níveis de governo, estaduais e municipais, é possível que Ratinho Junior, a essa altura, já esteja pensando em como fazê-lo com as joias da coroa, Copel e Sanepar. Obviamente as nossas estatais negarão a existência dessa reserva de gordura, o que não impede que deem outra forma de contribuição no corte do supérfluo e das mordomias.
Ainda agora, principalmente na temporada de praia, não é pequena a bronca dos usuários contra as tarifas abusivas de água. Urge também que a empresa não cometa crimes ambientais como aquele, detectado e denunciado, do lançamento de esgotos na bacia hidrográfica do Iguaçu.
Ratinho acha que é possível conter mordomias e abusos e tanto que, chocado com o peso da folha de pagamento do funcionalismo, determinou uma auditoria pente fino para apurar horas extras indevidas, acumulações de cargos, abusos com gratificações como as captadas em missão técnica pelo Tribunal de Contas nas universidades estaduais.
Troca troca
Em função do novo governo nacional acentuou-se o troca-troca partidário e o PSL acabou se ombreando, pelo menos na Câmara Federal, à bancada majoritária do Partido dos Trabalhadores. Estão agora com 55 parlamentares cada um e isso pesa na indicação das comissões.
Protagonismo
Setores mais próximos do presidente estariam alarmados com o protagonismo do vice-presidente Hamilton Mourão. Agora indica que Rodrigo Maia é um nome de prestígio para dirigir a Câmara Federal, como também se manifestou como um gesto humanitário a pretensão de Lula ir ao guardamento do irmão Vavá. Em tudo ele dá opinião, revelando segurança e extrema disposição em exercer o seu papel, ora interinamente, na presidência.
Quando Michel Temer se queixou, em carta, do pouco espaço que lhe dava Dilma Rousseff, dá para perceber que a vice não é efetivamente um vácuo e há como preenchê-lo. .
Otimismo
Londrina está mais otimista (75%) do que o conjunto do Paraná (73%) quanto à perspectiva de melhora na economia do país e do estado, conforme pesquisa da Fecomércio. Bem melhor do que os 51,8% no Paraná no segundo semestre de 2018.
Folclore
Paulo Briguet escreveu nessa quarta a história das cachorrinhas abandonadas, a Laika espacial e a Laika do vizinho resgatada no Natal. Quando do voo espacial, eu estava no Diário do Paraná e tasquei um poemeto para ilustrar a reportagem "No ventre da lua sintética// Laika abana a cauda// irisada de espinhos luminiscentes//


