Não temos uma força como a dos gaúchos projetada na interessante série global sobre a Revolução Farroupilha. Aliás nesse aspecto, já o demonstrei, perdemos dos catarinenses que, por exemplo, na epopéia do Contestado, nos dão um banho de bibliografia, iconografia, literatura e cinema. Foi preciso que o catarina, Sylvio Back, já paranizado, viesse aqui realizar ''Guerra dos Pelados'' que trata do tema como o seu colega e conterrâneo, o Rogério Sganzerla, que fez a versão fílmica de ''A geração do deserto'' de Guido Wilmar Sassi.
A identidade de um povo se forja na maneira como cultua os eventos marcantes de sua história. Uma das atuações marcantes da RBS, dos Sirotski, é justamente nessa direção: como uma das maiores repetidoras do Sistema Globo ela atua fortemente no raconto dos gaúchos e o faz, também, em Santa Catarina. Isso dá mais nutrientes para a auto-estima do que esses institucionais governistas que infestam, há anos, a televisão e o rádio.
PELLEGRINI Quando um escritor como o Domingos Pellegrini se habilita outra vez ao Prêmio Jaboti, o mais importante do País, temos um caminho para essa afirmação. E com um detalhe na sua vinculação visceral, atávica, ao mundo do norte-paranaense. Como temos três Paranás o tradicional sulista, o pioneiro do setentrião e o do oeste-sudoeste e cada um desses pólos pudesse mostrar seus valores seria o ideal. O Roberto Gomes, seguindo a trilha de sua esposa, a historiadora, Íria, trataram da saga dos posseiros, a rebelião de 1957 em romance e ensaio. O Noel Nascimento elaborou ''Casa Verde'' também na trilha do Contestado. São referências como essas que adensam a identidade. Não apenas isso, mas também a forma como nos envolvemos no processo civilizatório da terra comum.
A FALHA Há um setor que falha e com método: a classe política. Ninguém como ela nos dá lições modelares de autofagia e displiscência militante. Catarinas nos dão aulas também de reaglutinação ao identificarem causas comuns. Já dos nordestinos nem é preciso fazer referência, tal a sabedoria com que, de certa forma, controlam o processo brasileiro. Tenho insistido, e cheguei a formular propostas a vários governos, na montagem de um cadastro de massa cinzenta do Paraná, dessa que há por aqui ou se espalha no Brasil e no mundo. Um ponto de partida para reflexões e intercâmbio.
O BARÃO Agora, por exemplo, já em exibições privadas, temos o filme de Paulo Morelli ''O preço da paz'' que trata da vida do Barão do Serro Azul. Vítima de uma das mais sangrentas das guerras civís do Brasil, a Revolução Federalista de 1894, a figura do líder empresarial se insere na perspectiva carlyleana da história e é um dos caminhos que vale à pena seguir. Essas referências culturais valem mais do que toda badalação formalista que se faz em cima do objetivo de projetar o Paraná e desvendar a sua identidade.

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