Ahmadinejad é recebido com protestos
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terça-feira, 24 de novembro de 2009
Das Agências 
Brasília - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, chegou ontem, por volta do meio-dia, ao Palácio do Itamaraty, onde foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com quase uma hora de atraso, Ahmadinejad chegou pela entrada principal do prédio onde estava sendo aguardado por dois grupos distintos de manifestantes. O primeiro, contra a visita do presidente iraniano e o segundo, a favor.
Os manifestantes foram afastados do carro de Ahmadinejad por uma fileira de 16 homens da Polícia Montada. No começo desta tarde, ainda estavam na área cerca de 150 homens da PM e da segurança do Palácio do Planalto. Em comparação a outras visitas de presidentes ao Brasil, o número de seguranças, desta vez, é maior.
Mas, apesar de todo efetivo, um homem, carregando uma criança de pouco mais de um ano, conseguiu driblar os seguranças e entrou no Itamaraty para distribuir folheto em solidariedade ao presidente iraniano. O papel era um manifesto de boas vindas a Ahmadinejad e elogios por sua ''incansável luta contra o imperialismo dos Estados Unidos, Israel e seus aliados''. Ao ser retirado pelos seguranças, o homem, que não quis se identificar, perguntava se o funcionário do Itamaraty era judeu, por estar afastando-o do local.
Ontem à tarde Ahmadinejad foi recebido pelos presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e deu dar uma palestra em uma universidade local. Ahmadinejad pernoitará em Brasília e hoje de manhã seguirá para a Bolívia.
No Congresso
Parlamentares também protestaram ontem contra a visita do presidente do Irã à sede do Legislativo brasileiro. Os deputados Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) e Zenaldo Coutinho (PSDB-PA) estenderam faixas dentro do plenário da Casa com os dizeres: ''Holocausto nunca mais'' e ''Ninguém pode apagar a história'' antes do iraniano ingressar no local.
Os parlamentares levaram para o Congresso sobreviventes da Segunda Guerra que viveram em campos de concentração nazistas. De cadeira de rodas, aos 84 anos, o presidente da Associação de Sobreviventes do Nazismo, Ben Abrahan, segurou uma das faixas contrária à presença de Ahmadinejad.
''Passei cinco anos e meio no campo de concentração nazista. Vi as câmaras de gás e as chaminés dos crematórios expelindo fumaça preta e senti nas minhas narinas o cheiro de carne queimada. E agora vem esse homem que nega o Holocausto e é recebido como chefe de Estado pelo nosso governo?'', questionou.
Nascido na Polônia, Abrahan se naturalizou brasileiro depois da guerra. Ao lembrar do conflito, o sobrevivente disse que passou cinco anos e meio no campo de concentração de Auschwitz, na Polônia.
Para o deputado Itagiba, a visita do presidente do Irã ao Brasil ''envergonha'' o povo brasileiro. ''A visita do presidente do Irã causa vergonha ao Brasil porque foi o Brasil quem deu um grande passo para que existisse o Estado de Israel.''
Manifestantes favoráveis e contrários à visita do presidente do Irã tomaram a frente do Palácio durante reunião entre os dois chefes de Estado. Houve um pequeno tumulto entre os cerca de cem manifestantes, contidos pelos funcionários da Presidência da República.


