Brasília - A Advocacia-Geral da União (AGU) irá pedir esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal sobre o acordo de delação premiada firmado pelo doleiro Alberto Youssef com o Ministério Público Federal e pretende contestar cláusulas que permitem ao doleiro preservar um de seus imóveis, que, em princípio, seria destinado à União. Youssef é acusado de operar um gigantesco esquema de lavagem de dinheiro que, entre outras coisas, intermediava a distribuição de propina paga por empreiteiras a dirigentes da Petrobras e políticos do PT, PMDB e PP, segundo a Procuradoria. No acordo que fez com o Ministério Público - já homologado pelo ministro do STF Teori Zavascki - o doleiro concordou em entregar todo o seu patrimônio, que equivale a R$ 40 milhões, e revelar informações sobre o esquema em troca de uma redução de sua futura pena. O período que ele ficaria preso em regime fechado foi reduzido de dezenas de anos para, no máximo, cinco anos. O acordo de delação também prevê uma multa que tem seu valor atrelado a um imóvel de Youssef formado por um terreno com quatro sobrados no Rio de Janeiro. Esse imóvel foi transferido para o doleiro por R$ 2,8 milhões, mas ainda não tem um valor atual estimado pela Justiça. A cláusula que beneficia Youssef prevê que ele deduza de sua multa parte dos "bens e valores ilícitos recuperados, no Brasil ou no exterior" exclusivamente com base em suas informações. A proporção que poderá ser deduzido da multa é de 2% do valor recuperado. Caso o montante ultrapasse o valor da multa, as filhas de Youssef poderão ficar com o imóvel. Se for inferior, o imóvel será alienado para pagamento da multa e Youssef ficará com o valor referente aos 2% que ajudar a recuperar. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, afirmou ontem, que, se o STF confirmar esses termos do acordo, recorrerá ao plenário do Supremo. Para Adams, essa cláusula não tem amparo legal.

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