Brasília - O advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams, lançou um pacote de medidas para controlar nomeações, reuniões e audiências no mesmo dia em que deu explicações ao Senado sobre operação policial que investiga corrupção e tráfico de influência envolvendo atuação de um amigo e ex-braço direito da Advocacia-Geral da União (AGU). Adams assinou três portarias que dão mais transparência e, ao mesmo tempo, burocratizam o dia a dia da AGU. Elas foram publicadas na edição de ontem do ''Diário Oficial da União''.
No pacote de ética e transparência de Adams, está a criação do ''formulário de indicação'' que deve trazer, além de dados pessoais, o currículo profissional do postulante ao cargo público, análise da adequação do perfil para o posto pleiteado, certidão atestando que o candidato não responde a nenhum procedimento disciplinar. Adams também definiu um controle maior para realização de consultas, reuniões e audiências com representantes da AGU.
De acordo com a portaria, qualquer pedido deve ser protocolado com indicação da autoridade ou servidor interessado. Os encontros agora serão registrados em ''breve memória'' com nome dos participantes, assunto tratado, local e data. Eles podem ser cancelados caso autoridades da AGU avaliem que há ''importunidade'', ''impertinência'' ou ''inadequação'' da pauta ou dos participantes.
A terceira portaria cria uma Comissão de Ética dentro da AGU com três integrantes e mandatos de três anos. Como missão, essa comissão deve dar ciência à própria AGU de casos de infração disciplinar e preparar um relatório anual sobre suas atividades. Com o pacote, Adams tenta reagir aos desdobramentos da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, que indiciou o número 2 da AGU, José Weber, que é amigo de Adams e foi nomeado para o cargo na AGU mesmo tendo respondido a procedimento que apurava a participação dele na assinatura de um contrato suspeito, em 1998.

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