Brasília - O agronegócio quer comprometimento sério dos candidatos à Presidência da República com o setor. De acordo com o coordenador do centro do agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, os candidatos Marina Silva (PV), José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) participarão de uma sabatina com temas de agricultura e pecuária, suas respostas serão gravadas e depois ''julgadas'' por um grupo de cientistas políticos, que identificarão o político mais afinado com o setor.
Rodrigues explicou que os candidatos já receberam um documento com os seis pilares considerados chaves para o setor e sobre os quais são esperados avanços no próximo governo. Durante o congresso da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), no dia 9 de agosto, os candidatos responderão a seis perguntas cada.
O primeiro item do documento, de acordo com o coordenador da FGV, é a ''Renda''. Neste quesito, estão questões relacionadas à reforma do crédito rural, seguro, programa de preço mínimo e fortalecimento do cooperativismo. O segundo pilar mencionado por Rodrigues é o da ''Infraestrutura para Logística''. ''O que queremos é que as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que servirão para a logística de produtos de alimentos sejam priorizadas'', disse.
O terceiro item é ''Tecnologia'', que trata da necessidade de ampliação de pesquisa para o setor, não apenas do segmento público, mas também de formação de parcerias com a iniciativa privada. A ''Defesa Sanitária'' é o quarto item do documento e abrange questões de âmbito internacional.
Em relação à ''Política Comercial'', que é o quinto tema indicado pelo setor, o que se quer são avanços práticos da Rodada Doha e ampliação de acordos bilaterais, sobretudo com a União Europeia. ''O que se quer é que o Brasil seja mais livre e não tão amarrado ao Mercosul'', explicou o ex-ministro.
O último item é a ''Institucionalização'' do Ministério da Agricultura. Na avaliação de Rodrigues, a Pasta hoje é muito dependente de questões de juros (Banco Central), Recursos (Ministério da Fazenda) e restrições orçamentárias (Ministério do Planejamento). ''Precisamos que o próximo governo tenha uma estratégia comum e não que cada um possa fazer o que quer'', afirmou. O coordenador da FGV conversou com jornalistas ao chegar para a comemoração dos 150 anos dos ministérios da Agricultura e dos Transportes, em Brasília.

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