'Agressão' visual dá lugar ao corpo-a-corpo
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quinta-feira, 02 de setembro de 2004
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Oito candidatos a prefeito, 311 postulantes às 18 cadeiras da Câmara de Vereadores, exatos 30 dias para a decisão nas urnas, e quase nenhuma campanha eleitoral nas ruas. Este é o cenário em Londrina a um mês das eleições municipais.
Dos 326 outdoors disponibilizados na cidade para a propaganda eleitoral, somente 276 serão utilizados. As coligações abriram mão de 50 painéis. Até ontem, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) havia recebido somente oito pedidos de autorização para realização de comícios. Em todo o quadrilátero central da cidade praticamente inexiste panfletagem ou faixas espalhadas pelas ruas. A única exceção, são os três quiosques montados no Calçadão central que são liberados pela CMTU.
''Em campanhas mais antigas haviam cartazes colados em muros, postes, pichações, e o próprio eleitor está fazendo com que isso acabe. Muitas vezes, o excesso de propaganda agride o eleitor e passa a fazer o efeito contrário. O eleitor não quer ser bombardeado. Excesso de poluição visual acaba gerando uma animosidade contra o candidato'', disse o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina, Mário Sérgio Lepre.
O coordenador de comunicação da campanha de Luiz Carlos Hauly (PSDB), jornalista Cláudio Osti, que há mais de 15 anos trabalha na cobertura e participa das campanhas políticas, acredita que a eleição deste ano difere das anteriores devido à falta de recursos e também ao próprio eleitor. ''Antigamente se faziam inúmeros comícios. Hoje são muito caros, além da questão da insegurança. O risco de brigas e confusão não agrega nada para o candidato. A maioria dos candidatos não têm recursos para injetar em uma campanha, assim o candidato acaba usando a televisão como carro chefe e também reuniões em bairros, empresas'', analisou. ''O eleitor está mais crítico, não gosta muito de ostentação, da pressão psicológica de dezenas de pessoas nas ruas fazendo dez campanhas ao mesmo tempo. Prefere acompanhar mais pela TV. É muito mais bater perna, com o candidato circulando, do que fazer comício para 10 mil pessoas onde não há possibilidade do eleitor conversar com o candidato'', complementou.
Para o jornalista Luciano Bitencourt, que coordena a comunicação da campanha de Nedson Micheleti (PT) à reeleição, a campanha deste ano reflete uma mudança no comportamento dos eleitores e dos candidatos. ''As pessoas começaram a associar algumas ações à ostentação, ao uso da máquina, e passaram a repelir esse tipo de coisa. Em outras cidades, como em Maringá, as campanhas estão muito mais nas ruas, usando estratagemas convencionais que são comícios, gente nos sinais segurando faixas, distribuição volumosa de santinhos, e isso aqui em Londrina, em função da última campanha principalmente, está muito mais baseada no programa de rádio e televisão e no corpo-a-corpo. Acho que isso foi incorporado de uma certa maneira à cultura política do londrinense, ao modo de fazer campanha'', avaliou.


