Brasília - ''Agora zera tudo.'' A afirmação é do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), ao destacar que, após a vitória do Planalto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o desafio passa a ser a votação no plenário da emenda constitucional que prorroga a cobrança da CPMF. É preciso ter 49 votos para aprovar a renovação do tributo e o governo chega ao plenário com algumas defecções em sua própria base. Depois de substituído terça-feira na CCJ, o senador peemedebista Pedro Simon (RS) anunciou que votará contra o governo. Assim, sobe para três os senadores do PMDB que devem ficar contra a CPMF: Mão Santa (PI) e Jarbas Vasconcelos (PE), além de Simon.
Após uma série de manobras, a base governista conseguiu aprovar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, na noite de terça-feira, o texto paralelo do líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), que defende a prorrogação da cobrança da CPMF até 2011. A proposta segue agora para o plenário da Casa.
O relatório paralelo foi aprovado com 12 votos favoráveis e nove contrários. O texto da relatora Kátia Abreu (DEM-TO), que defendia a extinção da CPMF foi derrotado dentro da comissão.
O governo ainda precisa aprovar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) no plenário do Senado, onde são necessários o mínimo de 49 votos favoráveis em dois turnos de votação. A expectativa do governo é concluir a votação da PEC até o dia 18 de dezembro.
Depois da aprovação na CCJ, Jucá avaliou que venceu no primeiro teste. ''Viabilizamos a possibilidade de ganhar'', afirmou. Mesmo assim, não disfarçava a apreensão. A preocupação do governo com a votação em plenário tem razões óbvias. O placar é apertado. Sem dissidências, os partidos aliados somam 53 votos. Tirando os três peemedebistas, o governo fica com 50. O líder sabe que o governo terá de fazer novas concessões, mas prefere confiar na máxima bíblica aplicada ao mundo dos políticos: ''a cada dia uma agonia''. Para ele, vencida a primeira etapa, o governo recomeça agora as negociações para consolidar o apoio na base e ainda conquistar votos na oposição.
Agora na condição de novo relator da matéria, Romero Jucá vai tentar agilizar a votação da emenda. Ele não terá muito mais a oferecer para conseguir a coesão da base. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo chegou ao limite nas negociações com os aliados sobre a redução da alíquota da CPMF.

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