O professor de Ética e Filosofia Política Clodomiro Bannwart prevê como um desafio de Bolsonaro abraçar pautas polêmicas, como a Reforma da Previdência
O professor de Ética e Filosofia Política Clodomiro Bannwart prevê como um desafio de Bolsonaro abraçar pautas polêmicas, como a Reforma da Previdência | Foto: Sérgio Ranalli


A partir de 2019 o presidente eleito Jair Messias Bolsonaro (PSL) vai precisar de "maestria" para equilibrar o apoio popular que o levou a vencer a 8ª eleição desde a redemocratização, com as negociações no Congresso para a formação de coalizões que devem buscar a aprovação de medidas impopulares, programadas para se concretizarem no seu governo.

É o que avalia o professor de Ética e Filosofia Política do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina Clodomiro Bannwart, que sugere um olhar crítico especialmente sobre os partidos do chamado "centrão".

"Acho que precisamos levar em consideração a postura dos partidos que se mantiveram neutros, sobretudo no segundo turno, acredito que esperando o resultado das eleições para poderem negociar. Agora, a partir da semana que vem, já configurando o espectro da relação de poder que irá acontecer entre o Legislativo e Executivo Federal", afirma.

Ele lembra que os eleitores de Bolsonaro, em sua maioria, esperam por uma mudança radical, entretanto acredita que não seja algo fácil por conta de uma série de problemas na pauta nacional que eminentemente giram em torno das reformas. Eleito com 55,21% dos votos, sendo o preferido por 68,43% dos eleitores paranaenses e 80,42% dos londrinenses, Jair Bolsonaro vai encontrar um Congresso formado pelas duas maiores bancadas, uma de oposição, com 56 deputados do PT (Partido dos Trabalhadores), e outra de situação, 52 do próprio PSL (Partido Social Liberal). E destaca que a aprovação da Reforma da Previdência deverá ser um grande desafio justamente para uma figura que sempre esteve longe de exercer liderança em grandes discussões.

"A colocação da Reforma da Previdência, em todas as tentativas houve reações populares contrárias. Então eu creio que estas medidas tomadas já no início do governo podem gerar uma reação contrária da população e isso pode mitigar este apoio popular e influenciar no apoio do Congresso também", avalia.

MODERAÇÃO
Já a expectativa do cientista político André Felipe Rosa, que vive em Brasília, é de moderação no discurso do novo Presidente. Rosa prevê que a transição com o governo Temer deva ser "muito tranquila" e avalia que é esperada uma mudança do discurso das urnas para o discurso institucional. Ele também destaca que o primeiro movimento do novo presidente deve ser focar na formação das coalizões "para as pautas consideradas prioritárias para o governo dele, como a Reforma da Previdência, a Reforma Tributária, a redução da maioridade penal e a flexibilização do porte de armas", avalia.

Na tarde deste domingo (28), o próprio vice de Bolsonaro, o general Hamilton Mourão (PRTB), falou sobre a urgência de se votar a Reforma da Previdência de Temer não descartando a possibilidade de aperfeiçoá-la futuramente. Rosa destaca que a reforma enviada pelo futuro ministro da Fazenda de Bolsonaro, Paulo Guedes, é até um "pouco mais radical em alguns pontos do que a de Temer", pondera.

"O que pode acontecer ao meu ver seria uma Reforma da Previdência em alguns pontos fundamentais ainda esse ano, mas uma Reforma mais profunda em 2019", avalia.

Em Londrina, a ampla maioria dos eleitores votou em Bolsonaro, mais de 80%. "No primeiro turno aqui em Londrina nós tivemos 65% de eleitores votando em Bolsonaro e isso aumentou agora. Talvez o elemento que explique isso é que aqui o próprio Haddad ficou em terceiro lugar, em segundo ficou o Ciro Gomes (PDT). Provavelmente tivemos uma divisão destes votos e também de outros candidatos, como o Alvaro Dias (PODE), o próprio Amoêdo (NOVO) também", afirma Bannwart.

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