Agilidade e informação no horário eleitoral
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de julho de 2002
Silvio Bressan<br>Agência Estado 
A um mês do seu início, marcado para 20 de agosto, o horário eleitoral gratuito continua sendo a principal aposta dos candidatos à Presidência, mas já não marca o início da campanha e nem é o seu único fator decisivo. A antecipação do debate eleitoral, o grau de conhecimento do público em relação aos candidatos e, principalmente, a exposição inédita dos presidenciáveis na mídia transformou o trunfo do horário eleitoral em um grande desafio: produzir programas de qualidade, mas ágeis e informativos o suficiente para não ficarem obsoletos até o próximo telejornal.
Ao contrário das outras eleições, a eleição já faz parte do cotidiano do telespectador. Boa parte dos 140 milhões de brasileiros que assistem TV viu alguma das entrevistas dos presidenciáveis, exibidas há duas semanas, de forma inédita, dentro do ''Jornal Nacional''. E isso foi só o começo. Outra rodada está prevista no telejornal de maior audiência do País para setembro.
Na ''TV Record'', além desse espaço e de um debate em setembro, o apresentador Boris Casoy quer abrir cinco minutos diários para o pronunciamento dos candidatos. Na ''Band'', o diretor-geral de Jornalismo, Fernando Mitre, anuncia um debate para o dia 4 e outro, dos candidatos a vice-presidente, para o dia 18, dois dias antes do horário eleitoral.
Entre noticiários, talks-shows e programas especiais de todas as emissoras, calcula-se que os candidatos terão mais tempo do que as 16 horas dos programas oficiais do TSE.
Nada disso significa que o horário eleitoral será menos importante, mas desta vez vai encontrar um telespectador mais informado e atento. Para Fátima Pacheco Jordão, especialista em pesquisas eleitorais, o horário eleitoral vai começar com uma temperatura mais alta. ''Como a campanha já começou, os candidatos terão um desafio mais complexo, explicando desde logo os assuntos que estão em pauta no noticiário'', prevê.
A professora Vera Chaia, do Departamento de Política da PUC e coordenadora do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política, diz aguardar com curiosidade o início do horário eleitoral. ''Esse é o espaço que os candidatos têm para responder, criticar e levantar dossiês'', considera ela. ''Com a exposição exacerbada na mídia, esse processo já está acelerado, o que deve tornar os programas mais agressivos'', aposta.
Assim como Fátima, a professora da USP alerta que os riscos hoje são mais dos candidatos do que dos telespectadores, mesmo na população de classe mais baixa. ''Eles já nascem vendo TV, sabem reconhecer uma novela de qualidade, dão risada com os excessos e percebem quando alguém tenta enganá-las'', observa Maria Thereza. ''O candidato que exagerar, não vai convencer.'' Nesse aspecto, Thereza cita os clichês de Lula )PT), o economês exagerado de Ciro Gomes (PPS) Gomes, o aspecto ''morno'' de José Serra (PSDB) e a fanfarronice de Anthony Garotinho (PDT).


