Mais de 50 agentes e delegados da Polícia Federal estão seguindo a mulher, as filhas e os familiares mais próximos do juiz foragido Nicolau dos Santos Neto, e já pediram ajuda à Interpol (Polícia Internacional) para encontrá-lo fora do País. A PF está empenhada na captura do juiz desaparecido, acusado do desvio de R$ 169,5 milhões da obra superfaturada do novo prédio do Fórum Trabalhista de São Paulo.
Na operação de captura, os policiais já estiveram no litoral e interior do Estado, no Rio, Paraná e Rio Grande do Sul. A pressão para que a Polícia Federal prenda o ex-presidente do TRT é da presidência da República, do Ministério da Justiça, do Poder Judiciário Federal e do Ministério Público Federal.
O diretor-geral da PF, Agildo Monteiro, prometeu, na semana passada, a prisão de Nicolau ‘‘em pouco tempo.’’ Ele cobra mais eficiência de seus subordinados para capturar o juiz foragido, que teve a prisão decretada pelo juiz Cassem Mazloum, da 1ª Vara Criminal Federal, em 25 de abril, com base no artigo 30 da Lei do Colarinho Branco e do artigo 312 do Código de Processo Penal.
A acusação foi de desvio de divisas e lavagem de dinheiro. Um mês depois o mesmo juiz decretou nova prisão preventiva, com a acusação de estelionato, corrupção ativa e formação de quadrilha.
O advogado Alberto Toron, que defende Nicolau, impetrou dois pedidos de habeas-corpus no Tribunal Regional Federal (TRF) visando a revogar as prisões. O último em 9 de maio. A decisão deverá sair na primeira quinzena de agosto.
A prisão do juiz foi requerida em 1º de março pela procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn. Ela informou, em seu pedido, que a investigação bancária realizada pela Procuradoria-Geral da Suíça apurou que em outubro de 1991, Nicolau abriu duas contas no Banco Santander, de Genebra.
Nas contas identificadas pela senha Nissan, até abril de 1994, ele depositou US$ 6,84 milhões. Na mesma justificativa para prendê-lo, a procuradora faz um relato da riqueza do juiz desde o início da construção do prédio do fórum. ‘‘Nicolau obteve um enorme e desproporcional incremento de seu patrimônio paralelamente à realização dos pagamentos do TRT à empreiteira Ikal.’’
Em 12 de abril, o juiz foi interrogado durante duas horas na 1ª Vara Criminal Federal. Afirmou que sua fortuna tinha origem na herança deixada por um tio alfaiate, no início da década de 70, e dos avós maternos e paternos.
Durante o interrogatório, a procuradora-chefe da República, em São Paulo, Janice Agostinho Barreto Ascari, reiterou o pedido de decretação da prisão de Nicolau. Em 25 de abril, quando os federais foram procurá-lo com o mandado de prisão assinado pelo juiz Mazloum souberam, pela família, que ele deixara a casa havia dias.

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