Cerca de 50 agentes sanitários e de endemia de Ibiporã fizeram uma manifestação pacífica na sessão de ontem da Câmara de Vereadores da cidade. O motivo da ''revolta'' da classe, segundo o presidente da Comissão dos Agentes de Saúde, Aldemar Galassi, seria a retirada dos 20% referentes ao adicional de insalubridade da folha de pagamento dos cerca de 105 agentes que atuam no combate à dengue.
''Outras cidades estão dando incentivos para os agentes de endemia nesse momento de crise na saúde e em época de epidemia de dengue. Na nossa cidade o prefeito fez o contrário'', ressaltou Galassi. Segundo ele, o prefeito José Maria Ferreira (PMDB) havia prometido que iria retirar a insalubridade da folha de pagamento mais iria complementar o valor - R$ 109 - no piso salarial da categoria. ''Depois o prefeito afirmou que isso seria inconstitucional. Agora queremos um apoio da Câmara de vereadores para cobrar uma postura. Fizemos tudo tranquilamente, pacificamente, mas queremos uma posição. Temos apoio de uns cinco vereadores.''
Galassi ainda salientou que o salário da categoria - R$ 540 - é muito baixo. ''O Governo Federal repassa todo mês R$ 714 por agente, para que a Prefeitura complemente o salário da classe, mas isso não está sendo feito em Ibiporã. ''Em Paulínia (SP), por exemplo, os agentes de endemia ganham hoje R$ 2.945, e em Campinas (SP) ganham cerca de R$ 1725.''
O prefeito de Ibiporã disse ontem que pretende reajustar os salários dos servidores, e que retirou a insalubridade baseado em estudo técnico feito pela Prefeitura.
''Vamos fazer uma correção para que essas perdas sejam repostas. Mas os que os servidores devem entender é que a insalubridade não deve ser vista como reposição salarial. Eu entendo que a remuneração deles é baixa, e que esses 20% serviam para complementar o rendimento. Agora, eles receberam os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), que diminui o risco de periculosidade no serviço. Tivemos, por esse motivo, que retirar a insalubridade'', explicou o prefeito.
Segundo Ferreira, o sindicato dos agentes de endemia não concordou com o laudo da prefeitura, mas ''foram feitos dois estudos antes de tomar a decisão''. ''A empresa que fez o laudo tinha um engenheiro do trabalho e um médico do trabalho que acompanharam os agentes e fizeram esse estudo. Nós até demoramos um tempo para implementar a medida'', explicou.

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