Agentes da CMTU pedem fim de demissões arbitrárias
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
Sentindo-se prejudicados com demissões de agentes municipais sem processo administrativo e casos de assédio moral, os servidores da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina incluíram na pauta de reivindicações trabalhistas para 2012 a garantia de permanência no cargo e pedem a reintegração de servidores demitidos sem justa causa. Apenas no ano passado, quatro agentes teriam sido dispensados nesta condição. As propostas fazem parte de uma lista de 29 reivindicações que devem ser discutidas antes da data-base do funcionalismo, em fevereiro.
Um dos agentes conseguiu reintegração por meio de decisão judicial e está trabalhando; outro teve a liminar negada, mas espera o julgamento final da ação; outros dois aguardam decisão em ação civil pública movida em maio do ano passado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O procurador Marcelo Adriano da Silva, o mesmo que ajuizou ação para o fim das promoções indevidas na CMTU, sustenta que duas demissões ''tiveram nítido caráter de retaliação e intimidação dos demais empregados que ousaram manifestar posicionamentos contrários a atos e proposições da diretoria da CMTU''.
O clima de tensão e medo permanece na CMTU. ''Muitos agentes e funcionários da CMTU temem por seus empregos e, por isso, alguns estão retirando ações trabalhistas que moviam por outros motivos, como a falta de condições de trabalho e questões salariais'', revelou na semana passada um agente que preferiu não ter a identidade revelada. ''Se os agentes demitidos não tiverem sucesso na Justiça, isso vai abrir as portas para que a CMTU demita mais funcionários que discordam da diretoria'', completou outro agente.
Um terceiro agente entende que a companhia não cederá às reivindicações trabalhistas. ''A CMTU não atendeu nem a recomendação do Ministério Público para reintegrar servidores.'' À FOLHA, o presidente da CMTU, André Nadai, admitiu que ''com certeza a reintegração dos demitidos não será feita''. ''Estamos embasados em súmulas dos tribunais superiores porque somos sociedade de economia mista'', disse, referindo-se a uma orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Quanto ao fim das demissões sem justa causa, ''pode até ser analisada, mas, a princípio, te falo que provavelmente não será aceita''.
Nadai voltou a negar que haja perseguição na companhia, repetindo o que havia dito em outubro quando agentes fizeram denúncias de pressão na Câmara Municipal. ''O que a gente cobra é a efetiva participação do funcionário no projeto de melhoria da CMTU, que vem ocorrendo nestes últimos anos. Agora, perseguição e pressão nunca existiu.''


