Agentes da CMTU entram em greve
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terça-feira, 10 de agosto de 2004
Janaina Garcia e Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Os 234 funcionários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) entraram em greve por tempo indeterminado no final da tarde de ontem. A decisão foi tomada depois de uma reunião entre representantes dos empregados com diretores da Companhia para discutir a reposição de perdas salariais de 26,9%, referentes ao período 2002/2003.
Um grupo de cerca de 100 servidores protestou durante todo o dia em frente à sede da CMTU, munido de apitos e narizes de palhaço. A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), que cobra reposição salarial, referente à inflação do período, e mais o reajuste de 8,62% no ticket alimentação. A decisão sobre o início ou não de uma greve seria tomada depois da reunião, que terminou sem a apresentação de quaisquer propostas.
''Consultamos a Procuradoria do Município com nossa asessoria jurídica e fomos informados de que nenhum reajuste pode ser feito devido à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e à Lei Eleitoral'', comentou a presidente da CMTU, Rosimeiri Suzuki de Lima. Pela LRF, nenhum tipo de revisão salarial pode ser feito no período de seis meses antes do fim do mandato do prefeito. Já a Lei Eleitoral estabelece que a medida não pode ser tomada a menos de seis meses das eleições e o prefeito Nedson Micheleti (PT) tenta a reeleição no pleito de outubro.
''Estamos legalmente impedidos de tomar qualquer medida, portanto, nada será concedido agora'', sentenciou a presidente da CMTU. Questionada sobre o fato de não ter informado os representantes dos funcionários anteriormente as negociações se arrastam há 40 dias, o que também estaria fora dos prazos legais , admitiu que só ontem ficou sabendo dos impedimentos jurídicos.
A falta de contra-propostas alegada pelos manifestantes de manhã foi rebatida por Rosimeiri em declarações à Folha. ''Acenamos com a redução de descontos para o ticket alimentação e com acréscimo nos abonos salariais. Também oferecemos adiantamento da 1 parcela do 13º salário para setembro e fizemos seguro de vida para todos os funcionários'', explicou. Ao fim do dia, porém, a presidente negou que o seguro tivesse, de fato, sido efetivado, e voltou atrás nos abonos. ''Isso é reivindição deles, não propus isso'', resumiu.
''Não podemos considerar o adiantamento do 13º salário como uma proposta, já que esse é um benefício que de qualquer forma teria que ser concedido'', refutou a presidente do Sindserv, Marlene Valadão Godoy, ao que Rosimeiri respondeu: ''Pode ser, mas é um benefício que viria só no fim do ano''.
De acordo com Marlene, a presidência da CMTU alegava inicialmente falta de recursos para conceder a reposição. ''O último reajuste cedido para os empregados da CMTU, de 15,57%, é de 2001. Desde então, não eles não tiveram correções salariais baseadas na inflação'', explicou Marlene.
Conforme a presidente do Sindserv, as negociações com a CMTU são realizadas paralelamente à dos funcionários públicos municipais, pelo fato de se tratar de uma companhia. ''As conquistas conseguidas pelos funcionários da prefeitura eram normalmente trazidas para os empregados da companhia, o que não acontece há três anos'', disse. Ainda segundo ela, a última reposição concedida ao funcionalismo público municipal, de 10%, foi em janeiro. O sindicato ainda cobra reposição acumulada de 14,87%, em negociações que se arrastam há 40 dias.


