Agentes admitem multas canceladas sob pressão
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quarta-feira, 28 de março de 2012
Loriane Comeli <br> <br> Reportagem Local 
Os agentes que cancelaram multas de trânsito irregularmente de familiares de dois assessores da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina afirmaram ontem que agiram sob pressão direta e indireta de superiores hierárquicos na companhia. Os dois prestaram novo depoimento ao promotor Cláudio Esteves, do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga cancelamentos de infrações indevidos e envolve, além dos agentes, pelo menos três funcionários que ocupavam cargos comissionados na CMTU: Maurício Teixeira dos Anjos, coordenador de espaços públicos; Maria do Socorro, ex-coordenadora de trânsito; e Rogério Duque, assessor na Diretoria de Trânsito. Os dois últimos deixaram os cargos após o início das investigações pelo Gaeco.
O primeiro agente a depor revelou que cancelou a multa aplicada ao veículo de Maurício Teixeira. O carro de Maurício estava estacionado irregularmente na Avenida Santos Dummont. ''No dia seguinte ou alguns dias depois, o Maurício chegou com a multa e a colocou sobre a mesa dizendo: 'Vê aí o que você pode fazer.' Eu estava acompanhado do meu supervisor à época, que presenciou a situação'', contou o agente, acrescentando que resolveu então cancelar o auto de infração. ''Eu estava em estágio probatório e me sentido acuado, pressionado. Tive medo de ser demitido.''
O outro agente de trânsito - que cancelou a multa da esposa de Rogério Duque por excesso de velocidade - também estava em estágio probatório e também teria sido pressionado a cancelar a infração. A pressão, segundo seu depoimento, partiu de Maria do Socorro diretamente e, indiretamente, de Rogério Duque. Ela não pediu expressamente o cancelamento, mas afirmou que o Rogério estava ''enchendo o saco'' para que ele tomasse alguma providência. O agente concluiu que sendo uma multa sem qualquer defeito de preenchimento e devidamente assinada pela condutora, o pedido de Maria do Socorro e de Rogério Duque era para que a multa fosse cancelada.
Cláudio Esteves disse ter encerrado a fase de depoimentos, em que cerca de 15 pessoas foram ouvidas. Agora irá analisar se as condutas dos envolvidos efetivamente se enquadram no descrição do crime de falsidade de documentos públicos. Se ficar configurado o ilícito, os envolvidos serão denunciados; caso contrário, a investigação será arquivada.


