Apontado como torturador durante o regime militar, o agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Carlos Alberto del Menezzi, nega a acusação. Ele é o pivô da mais recente crise envolvendo a Abin, que culminou na demissão do diretor da agência, Ariel de Cunto, e no seu afastamento. ‘‘Não fui eu quem sequstrou, quem assaltou’’, disse ele, sem citar nomes.
Ariel de Cunto foi afastado da chefia da Abin pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso. O motivo foi a denúncia em torno da nomeação de Menezzi, tenente-coronel da reserva do Exército, apontado como torturador em depoimentos na Justiça Militar, para cargo de chefia na agência.
Menezzi aguarda ‘‘decisões superiores’’ no apartamento onde mora, no Plano Piloto, em Brasília. Informou que se dedica no momento a administrar o ‘‘estrago’’, segundo ele, causado a sua vida pessoal. ‘‘Estou em paz porque fui acusado de coisa injusta’’, afirmou.
Menezzi não quis se estender sobre os motivos que teriam levado às acusações. ‘‘Polemizar não adianta’’, sustentou. Disse que jamais foi chamado a responder por acusação ou por denúncia de tortura.
As denúncias de tortura, segundo Menezzi, podem ter sido usadas, na época, para justificar confissões. ‘‘A pessoa confessaria e depois diria que só o fez porque tinha sido torturada’’, diz. ‘‘Passou a ser status a pessoa dizer que foi torturada no regime militar’’, ironizou.

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