Agência Folha
Do Rio de Janeiro
O agente da Subsecretaria de Inteligência do Rio de Janeiro, Temilson Resende, o Telmo, apontado pela Polícia Federal como responsável pela instalação do grampo no BNDES, diz que seu nome foi ligado ao episódio para ‘‘envolver o serviço de inteligência do governo’’. ‘‘Creio que eles acharam que tenho o perfil ideal. Está para ser sancionada a lei de criação da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e o envolvimento da agência causaria mais polêmica e dificultaria sua criação’’, disse Telmo.
Ele acredita que a Abin (que seria criada a partir da Subsecretaria de Inteligência) poderia contrariar os interesses da Polícia Federal. Telmo, que trabalha há 23 anos na comunidade de informação e confirma conhecer boa parte dos nomes apontados como envolvidos no grampo, afirma só ter sabido do fato pelos jornais. ‘‘Da mesma forma que eu, há 500 pessoas trabalhando em vários órgãos de informação no Rio. Muitas delas não sabiam. Por que eu teria conhecimento?’’, argumentou.
Amigo do ex-superintendente da Polícia Federal no Rio, Edson de Oliveira, Telmo afirma ter conversado com ele para tentar descobrir a razão do envolvimento de seu nome, mas diz não ter tido nenhuma informação sobre o inquérito porque Oliveira ‘‘não tinha acesso à investigação’’. Telmo vem sendo investigado desde o ano passado como suspeito pela autoria das gravações de conversas telefônicas no BNDES, durante o processo de privatização da Telebrás.

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