Uma agente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) afirmou em depoimento anteontem à Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público que a Cooprelon, cooperativa de catadores de material reciclável de Londrina, estaria ''desviando'' materiais coletados e com a conivência do diretor de Operações da CMTU, Luciano Borrozino. A agente relatou à promotora Leila Voltarelli que um caminhão com lixo reciclável, ainda nos sacos verdes fornecidos pelo município, foi descarregado irregularmente no dia 27 de dezembro do ano passado no pátio da empresa Supra Clean. O fato foi flagrado por um fiscal da CMTU e os agentes relataram a irregularidade aos superiores.
A Cooprelon foi contratada em dezembro do ano passado por R$ 1,4 milhão para coletar resíduos de 95 mil domicílios da cidade. Após denúncias publicadas pela FOLHA, o Ministério Público (MP) instaurou procedimento para investigar a ''parceria'' com a empresa Supra Clean.
Segundo a agente, tanto o motorista quanto outros membros da cooperativa tentaram negar o ''desvio'', dizendo inclusive que o caminhão flagrado pelo agente não estava na Zona Sul, mas na Zona Norte da cidade. Porém, um dos diretores da cooperativa, identificado apenas como Dario, teria assumido perante outros catadores o transporte irregular do lixo para a Supra. O motivo alegado pelo cooperado foi ''falta de espaço'' no barracão de triagem - na PR-445, em Cambé.
O presidente da CMTU, André Nadai, minimizou a denúncia, afirmando que a ''cooperativa pode comercializar o que recolhe com quem quer que seja''. ''O lixo não precisa passar pelo barracão da cooperativa e pode ir in natura para o comprador.''
Esta informação é diferente do que revelou a agente. Segundo ela, pelo contrato, todo o material deve ser levado ao barracão para ser triado e, posteriormente, vendido. A cláusula sétima do contrato prevê que ''os resíduos da coleta serão encaminhados aos locais de triagem, conforme programação da contratante''.
Notificações
A agente também revelou à promotora que Borrozino tentava evitar que a Cooprelon fosse autuada pelos fiscais do contrato. Ela disse que ''Borrozino passou a interferir na fiscalização, exigindo que todas as notificações à Cooprelon passassem antes pela análise dele, além de orientar os fiscais para não autuar a cooperativa sem registro fotográfico''. Porém, a CMTU não disponibiliza máquina fotográfica a nenhum dos fiscais.
Tal exigência da fotografia teria sido feita no caso do descarregamento do caminhão no pátio da Supra. Nadai disse ''ter quase certeza'' de que a Cooprelon foi notificada sobre o suposto ''desvio de lixo'', mas ''não sei o que aconteceu depois''. Nadai não soube dizer quantas notificações ou autuações foram expedidas à Cooprelon, mas negou que Borrozino impedisse a fiscalização.

mockup