Brasília - Levantamento feito pela reportagem nas 352 agendas oficiais da presidente entre 1º de janeiro e a última quinta-feira, incluindo as programações de fins de semana, registra uma só audiência com o ministro da Pesca. Foi em 7 de janeiro, quando a titular da pasta era Ideli Salvatti, hoje ministra das Relações Institucionais.
O atual ministro da Pesca, Luiz Sérgio, que deu o lugar nas Relações Institucionais para Ideli e a sucedeu a partir de 13 de junho, jamais foi recebido pela presidente da República. Ideli e Luiz Sérgio trocaram de lugar durante a operação em que o ex-ministro Antonio Palocci deu lugar no comando da Casa Civil à senadora paranaense Gleisi Hoffmann. Palocci caiu depois de uma série de notícias sobre consultorias suspeitas a empresas enquanto exercia o mandato de deputado federal e, em 2010, coordenava da campanha eleitoral de Dilma.

Categorias
O exame das agendas da presidente mostra que há categorias bem diferenciadas nos 38 ministérios. No mesmo grupo em que está o da Pesca encontram-se os da Igualdade Racial e Assuntos Estratégicos. Luiza Bairros e Moreira Franco, titulares destas pastas, só foram recebidos por Dilma uma única vez até agora.
Luiz Sérgio e Luiza Bairros não quiseram fazer comentários sobre o pouco prestígio com a presidente. Moreira Franco informou, por intermédio de sua assessoria, que já despachou com a presidente fora da agenda por quatro vezes, antes das reuniões do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CNDES), quando mostrou os projetos estratégicos para o País nos quais está trabalhando.
A agenda da presidente não registra a presença do general José Elito de Carvalho (Segurança Institucional) nas audiências. Mas ele despacha com a presidente todos os dias, assim que ela chega ao Palácio do Planalto. Aldo Rebelo (Esportes), que tomou posse em 31 de outubro, esteve com Dilma uma vez. Orlando Silva, seu antecessor, foi chamado à sala da presidente da República nove vezes. Na mesma situação encontra-se Mendes Ribeiro (Agricultura), que foi recebido uma vez. Ele substituiu Wagner Rossi no dia 23 de agosto, que esteve com Dilma oficialmente por duas vezes e mais duas para explicar denúncias publicadas pela imprensa.
Quase no mesmo nível dos que só se encontraram oficialmente com Dilma uma única vez estão os ministros Ana de Hollanda (Cultura), Iriny Lopes (Mulheres), Garibaldi Alves (Previdência) e Mário Negromonte (Cidades). Eles foram recebidos duas vezes por Dilma.
A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) está numa situação um pouquinho melhor. Foi recebida três vezes pela chefe, o mesmo número que Celso Amorim (Defesa). Mas Amorim pode dizer que tem mais prestígio, porque tomou posse somente em 8 de agosto, em substituição a Nelson Jobim, que teve sete encontros com Dilma.
Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Carlos Lupi (Trabalho), que saiu no dia 4, e Paulo Sérgio Passos (Transportes), que entrou no dia 12 de julho, estiveram com Dilma cinco vezes cada um, segundo mostram as agendas oficiais da presidente.
De acordo com informações do Palácio do Planalto, as agendas oficiais registram os encontros marcados previamente com os auxiliares. Podem ocorrer reuniões fora da agenda. É o que ocorre, por exemplo, com os ministros que têm seus gabinetes no próprio Palácio do Planalto. Eles despacham com a presidente quase todos os dias. Ideli Salvatti, que na Pesca só falou com a presidente uma vez, agora a vê constantemente, por várias vezes ao dia. Nessa situação estão também Gleisi Hoffmann, Helena Chagas (Comunicação Social), Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e Jorge Hage (Controladoria-Geral).

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