Maringá - Divulgada pela assessoria de imprensa do Palácio do Planalto como agenda oficial da Presidência, a passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ontem por Maringá (Noroeste), a 10 dias das eleições, teve um forte contorno eleitoral. A chegada da comitiva do petista ao município contou com um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), que cedeu ainda um helicóptero para visita a obras com verbas federais, terminou com um almoço na cooperativa Cocamar no qual, ao lado de candidatos da base aliada a Lula, no Paraná, o presidente pediu votos a Osmar Dias (PDT), para governo do Estado, e a Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT), ao Senado.
Nos compromissos da manhã, centrados na assinatura da ordem de serviço de convênio para conclusão das obras de rebaixamento da linha férrea - que cruza, o perímetro urbano local - na BR-376 e na visita ao recém-inaugurado Complexo Esportivo Jaime Canet Junior, a ''Vila Olímpica'', as ações dos oito anos de governo petista, na comparação com os oito anos de gestão FHC, deram o tom aos discursos de ministros como o dos Esportes, Orlando Silva, e dos Transportes (interino), Mauro Barbosa.
As obras do contorno norte de Maringá, já iniciadas, terão um custo total de R$ 193,7 milhões, com previsão de término até dezembro. O objetivo é minimizar o fluxo pesado da Avenida Colombo, onde, segundo a administração municipal, só ano passado foram registrados 761 acidentes. Já o rebaixamento da linha férrea, que será executado pela Prefeitura, tem estimativa de conclusão em até um ano e investimento de cerca de R$ 46 milhões.
Na Vila Olímpica, a fila de elogios ao governo Lula - vários deles, personalizados na figura do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo - foi puxada pelo prefeito de Maringá, Silvio Barros (PP), que destacou os investimentos do governo federal na habitação, na infraestrutura viária e por meio de recursos dos ministérios da Justiça, da Saúde e dos Esportes.
Pelos ministros, Mauro Barbosa (Transportes) chamou Lula de ''grande administrador'' e elencou os investimentos públicos federais em Maringá nos oito anos anteriores a Lula, e nos oito anos do petista. ''Agora, cabe a vocês nos ajudar a fiscalizar isso tudo'', pediu.
Orlando Silva citou as presenças do atleta e maratonista Vanderley Cordeiro de Lima e das jogadoras da seleção feminina de vôlei - que disputam amistoso em Maringá, neste final de semana, contra a seleção dos EUA - ao evento. As jogadoras entregaram uma camisa autografada por todas a Lula. Depois de elogiar o colega do Planejamento, Silva destacou o ''outro lado da moeda política do presidente Lula'': ''Garantir recreação, esporte e lazer e deixar isso tudo mais no cotidiano das crianças e jovens do Brasil''. Encerrou agradecendo o apoio do ''ministro maringaense'' Bernardo - que nasceu em São Paulo, cresceu em Ribeirão Preto (SP) e tem residência em Londrina.
Lula falou da necessidade de o Estado investir no atleta até sua profissionalização - citou o Bolsa Atleta -, com menções às Olimpíadas e Paraolimpíadas que serão disputadas em 2016 no Rio de Janeiro, ''um marco''. ''A iniciativa privada tem um comportamento extraordinário, mas cuida mais do atleta acabado, que dá retorno financeiro. Estado, prefeituras e empresas públicas, precisamos cuidar antes de o atleta ser famoso.''
O petista fez questão de lembrar de quando assumiu a Presidência, em janeiro de 2003, quando ''eu dizia que era socialista e as pessoas tinham medo''. ''Mas eu tinha uma tese na cabeça: se esse país é capitalista, onde está o capitalismo dele?'', indagou, para arrematar com as comparações de crédito concedido à pessoa física antes e durante sua gestão. ''Antes, eram R$ 380 bilhões para 190 milhões de brasileiros. Hoje estamos com crédito de R$ 1,6 trilhão.'' Apenas em crédito consignado, são R$ 129 bilhões, segundo o presidente.

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