Agência fará nova perícia em empresa da ex-mulher
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sábado, 16 de junho de 2001
De Belém 
A Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA), que substituiu a Sudam, vai fazer uma nova auditoria no Ranário Touro Gigante, em Belém, pertencente a Márcia Cristina Zaluth Centeno, ex-mulher de Jader Barbalho. A intenção é avaliar de que forma foram gastos os recursos do Finam no projeto, considerado irregular. É prudente que se faça uma nova auditoria no ranário, confirma o secretário da agência, José Diogo Cyrillo, que interveio na Sudam.
Segundo ele, Márcia fez sua defesa há duas semanas. Ele afirmou desconhecer o conteúdo dos documentos, mas ressaltou que os valores do débito da mulher de Jader estaria em torno de R$ 6,9 milhões. Márcia afirma que o dinheiro liberado pela Sudam fica em torno de R$ 400 mil, mas, segundo Cyrillo, a correção com juros, multa e outros itens determinados pelo próprio Ministério da Fazenda eleva o débito para R$ 6,9 milhões. A questão do ranário não é uma prioridade nossa, até porque o processo foi descoberto por acaso, afirma Cyrillo.
A nova auditoria poderá confirmar ou não os débitos de Márcia Cristina, mas em nada diminuirá o foco das investigações sobre a Sudam e a venda de Títulos da Dívida Agrária (TDAs), que envolvem Jader. A Polícia Federal vai ouvir o ex-banqueiro Serafim Rodrigues de Moraes, sua mulher Vera Arantes Campos e o empresário Vicente de Paula Pedrosa da Silva sobre a denúncia de vendas dos TDAs da Fazenda Paraíso, em Viseu (PA).
Serafim e sua mulher confirmaram que, durante o pagamento dos títulos a Pedrosa, o senador, então ministro da Reforma Agrária, estava no hotel onde ocorreu a transação. Jader afirma que apenas conheceu o empresário quando o mesmo foi candidato a prefeito de Igarapé-Açu (PA) pelo PMDB, no ano passado.
Além disso, a PF centralizará as investigações na família Soares, aliada política de Jader em Altamira, um de seus principais redutos eleitorais. José Soares Sobrinho, ex-vice-prefeito do município, seu irmão Romildo Onofre Soares, ex-vereador, são os principais acusados por desvios de dinheiro da Sudam na região da Transamazônica e em Tocantins. Soares foi indiciado pela PF por crime de colarinho branco, formação de quadrilha e crime fiscal.
Amanhã, a Advocacia-Geral da União (AGU) entra na Justiça Federal com um pedido de improbidade contra a ex-funcionária da Sudam, Maria Auxiliadora Barra Martins, que mantinha escritórios de assessoramento de projetos da Sudam. No mês passado, ela teve seus bens bloqueados e o governo quer que eles sejam incorporados ao Tesouro Nacional. Pelos levantamentos iniciais da AGU, os bens estão em torno de R$ 7 milhões. (E.L.)


