O médico Agajan Der Bedrossian está de volta à Autarquia Municipal de Saúde (AMS), exatamente 128 dias após deixar o cargo por ''motivos particulares''. O anúncio foi feito ontem de manhã, com um certo tom de alívio, pelo prefeito Barbosa Neto (PDT) no começo da entrevista coletiva que ontem foi realizada no Autódromo Internacional Ayrton Senna em Londina.
O prefeito disse que a escolha de Agajan foi referendada pela maioria dos servidores municipais da Saúde que fizeram um abaixo-assinado pedindo a volta do secretário. ''Na minha opinião, ele é a pessoa que mais entende de saúde pública na rede municipal em Londrina'', disse o prefeito. Mesmo com a pasta de Saúde sem um titular há cerca de duas semanas, Barbosa disse que não buscou outros nomes, mas que recebeu várias indicações para o cargo.
Barbosa afirmou que não saberia dizer, naquele momento, qual seria a prioridade do novo secretário. ''A Saúde em Londrina enfrenta vários problemas em tudo e tenho certeza que o Agajan terá a tranquilidade para resolver os principais problemas que temos (nesta área) na cidade.''
Ao falar com os jornalistas, o médico lembrou que agora é ''hexassecretário'' da Saúde, ou seja, é a sexta vez que assume o cargo, sendo a segunda na atual administração. A primeira questão abordada com ele foi a atual crise que a prefeitura enfrenta na área de saúde com o impasse gerado com o Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap).
O secretário disse que o problema vem desde 2004, mas reconhece que a situação chegou a um ponto que considera insustentável, porém, de difícil solução. ''O município está tomando providências, mas não é fácil. Qualquer jogo de corpo joga mil famílias no desemprego. Além disso, como você vai substituir médicos, enfermeiras e auxiliares administrativos da noite para o dia?'', questionou.
O Ciap é uma empresa terceirizada que atua em quatro projetos considerados essenciais na área de saúde pública: controle de endemias, Programa Saúde da Família, Policlínica e Samu, e emprega 1,1 mil pessoas. Nos últimos dias, parte dos funcionários paralisou os trabalhos por falta de pagamento.
Agajan deixou claro que é contra a terceirização dos serviços na saúde e que pretende rever essa forma de atendimento à população. ''Você não pode contratar um serviço provisório porque os serviços na saúde são perenes e a terceirização só deve acontecer em último caso.'' Ele aponta que uma alternativa seria a realização de concursos públicos dirigidos a programas específicos.

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