Afegãs na Universidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de fevereiro de 2002
Bryan Pearson France Presse 
CabulCentenas de mulheres afegãs voltaram, na semana passada, à universidade de Cabul para submeter-se aos exames vestibulares, retomando uma tradição e um direito que lhes foram negados durante os cinco anos do regime dos talebans. Aproximadamente 500 estudantes se juntaram a cerca de 3.500 homens no campus nevado da universidade.
Estamos muito contentes. É como um renascimento, comentou Aqalla Rashid, de 21 anos, que quer entrar na faculdade de Medicina e que se atreveu pela primeira vez a retirar a burca.
É um grande dia para o Afeganistão. Novamente as mulheres são livres para estudar. Queremos agora libertar o campus do conflito ideológico e dedicá-lo à pesquisa e à transmissão do conhecimento, disse o ministro do Ensino Superior, Rasul Amin, acompanhado nesta ocasião da ministra da Condição Feminina, Sima Samar.
Entre 1996 e 2001, sob o regime dos talebans, as mulheres não eram autorizadas a estudar. Para fazer frente às lacunas ocorridas nesse período, Rasul Amin anunciou cursos especiais e também decretou que as notas das mulheres que se apresentarem para os vestibulares seriam automaticamente aumentadas em 15%.
Temos necessidade de mulheres diplomadas e faremos todo o possível para ajudá-las, adiantou Amin, que informou que de 7.000 estudantes que se apresentaram para os vestibulares, cerca de 1.000 eram mulheres.
Samar, por sua parte, viu no retorno das mulheres um sinal importante para o país, mas não deixou de lamentar que seu total seja ainda pouco numeroso.


