Afastamentos vão dar em pizza, prevê procurador
Esses afastamentos possivelmente vão terminar em pizza, e sabe por quê? Porque essa pizza não foi bem assada. Não são afastamentos baseados em uma investigação séria, profunda, e sim na palavra de um delator, a qual é como o fruto de uma árvore envenenada. As metáforas foram utilizadas ontem pelo Procurador Jurídico da Câmara Municipal de Londrina, Airvaldo Stella Alves, ao ser questionado pela FOLHA se a Casa deve ou não agir por conta própria, para apurar o que o Mininistério Público (MP) apontou em denúncia criminal e ação civil pública, e que culminou nos sete afastamentos de parlamentares.
O delator a que Alves, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), se refere é Orlando Bonilha (sem partido). O ex-vereador apontou em depoimento o esquema de cobrança de propina contra o empresário Claudemir Medeiros, dono da boate erótica Shirogohan, beneficiada com uma alteração no zoneamento. Entretanto, o próprio Medeiros admitiu à Promotoria ter pago R$ 15 mil a Bonilha, na presença de Souza, para ver a lei aprovada.
Se foi uma investigação séria, por que o empresário não foi colocado também como réu na ação? A Justiça tem que ser para todos e transparente; é a isso que sou a favor, concluiu o procurador. Conforme os trabalhos do Gaeco, Medeiros fora vítima em um esquema de concussão extorsão praticada por agente público.
Outro aspecto questionado pelo procurador um dos 13 cargos em comissão nomeados pela Presidência da Câmara é o impacto que o pagamento de afastados (as liminares não afetam as remunerações) e suplentes provocaria ao orçamento da Casa. Tem que ver: a Câmara vai cumprir a decisão judicial ou a Lei de Responsabilidade Fiscal (que limita gastos com pessoal)? O juiz não pode decidir contra a lei, caso contrário, o Judiciário ou o estado respondem depois. Atualmente, são mantidos quatro vereadores afastados, apenas um deles Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) ainda sem nomeação de suplente.
A respeito de supostas falhas na investigação, o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotor Cláudio Esteves, lembrou que o MP não costuma responder a advogados de réus, e, agora, também não ao procurador da Câmara. Mesmo assim, Esteves se espantou: Muito me estranha o posicionamento do procurador da Câmara em uma questão que é individual, e não da instituição, resumiu. (J.G.)





