Agência Estado
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Suruagy: fuga do impeachmentO afastamento do governador Divaldo Suruagy (PMDB) do Palácio dos Martírios vinha sendo aguardado há meses pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Desde o início do ano, os senadores alagoanos Teotônio Vilela Filho, presidente nacional do PSDB, Renan Calheiros (PMDB), e Guilherme Palmeiras (PMDB) negociam com o governo federal um acordo para tentar solucionar a crise de Alagoas - com dívidas estimadas em mais de R$ 2 bilhões -, que previa a substituição de Suruagy pelo vice Manoel Gomes de Barros (PTB).
Efetivada a mudança, o governo federal colocaria em prática um programa de ajuste fiscal e concederia ao Estado linhas de créditos emergenciais. Mas Suruagy relutava em assinar o pedido de licença. No início de junho, cerca de R$ 100 milhões em títulos alagoanos estavam vencendo e o Estado não tinha recursos para resgatá-los no mercado financeiro. Apesar do pedido de socorro feito por Suruagy, Fernando Henrique disse não.
As lideranças políticas do Estado passaram então a articular a fórmula da ‘‘intervenção branca’’, que previa a nomeação pelo governo federal do secretário de Fazenda do Estado. A proposta foi colocada em prática em meados de junho, com a designação do coronel Roberto Longo para o cargo. A crise agravou-se novamente no último mês, com a greve das polícias Civil e Militar, fato que obrigou o governo federal a enviar tropas do Exército para Alagoas. Os aliados de Suruagy voltaram a defender esta semana seu afastamento, antes que fosse decretado o impeachment na Assembléia Legislativa.
Após serem informados do tiroteio em Maceió e do pedido de licença de Suruagy, as bancadas de Alagoas no Senado e na Câmara foram ao Palácio do Planalto pedir ao presidente a liberação de R$ 450 milhões para colocar em dia os salários do funcionalismo público, atrasados há oito meses, e terminar de pagar as indenizações dos que aderiram ao Programa de Demissão Voluntária (PDV).
Na reunião, que começou na hora do almoço, Fernando Henrique lembrou que o governo federal já vinha ajudando o Estado mas que, ‘‘lamentavelmente’’, Alagoas não fazia os ajustes necessários. ‘‘Ele disse que não pode dar o dinheiro sem os ajustes’’, comentou o deputado José Thomaz Nonô (PMDB), que chegou a sugerir a Fernando Henrique a decretação da intervenção federal no Estado.

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