O Procurador Geral de Justiça do Piauí, Antonio Ivan e Silva, solicitou à Justiça, no final da tarde de ontem, o afastamento do cargo de dois prefeitos reeleitos: Domingos Bacelar de Carvalho (PMDB), do município de Porto, e Gilberto Leal Barros (PPB), de Bocaina. Os dois são acusados de falsificação de documentos, uso de notas frias e formação de quadrilhas. Eles não foram localizados ontem.
Anteontem, o prefeito de Curralinhos (89 km de Teresina), Hermes Pereira de Araújo Santos (PFL), foi preso após se entregar à Polícia Federal. Acusado de utilizar notas frias para justificar gastos inexistentes, Santos nega o crime. Diz que nunca comprou notas falsas e que sempre agiu de boa-fé. Seus advogados querem que ele responda o processo em liberdade.
A polêmica que envolve a ‘‘caça’’ aos prefeitos e ex-prefeitos acusados de corrupção no Piauí deflagrou uma crise entre o Judiciário e o Ministério Público. Acusados de protelar o julgamento de processos envolvendo administradores supostamente envolvidos em corrupção, os 13 desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ) decidiram interpelar ontem dois procuradores.
O procurador Afonso Gil Castelo Branco foi o autor das denúncias que deram início às investigações sobre o crime organizado no Piauí. Castelo Branco afirmou que não acusou a Justiça de corrupta, mas de estar inerte e de atuar em favor da impunidade. ‘‘Há processos abertos contra prefeitos desde 1989 que ainda não foram julgados.’’

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