O argumento de suposta ‘‘retaliação’’ usado pela defesa do líder do Executivo na Câmara, Gláudio Renato de Lima (PT), deve ser o mesmo a ser adotado pelos advogados do agora ex-presidente da Casa Sidney de Souza (PTB) e do ex-corregedor Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) nos agravos de instrumento que tentarão reconduzi-los ao plenário.
  O advogado de Souza, o ex-assessor jurídico da Sercomtel Dely Dias das Neves, disse ter ficado otimista com o não afastamento de Gláudio. ‘‘Porque a tese de retaliação do Bonilha contra ele pode ser usada futuramente, também pelo Sidney, como fundamento de um recurso. O presidente também votou pela cassação do Bonilha, e, além do mais, não nomeou cargos ele havia criado enquanto fora presidente da Câmara – isso também não é retaliação?’’, comparou. Sobre a inclusão do nome de Souza como réu também na ação criminal do caso Caldarelli, o advogado afirmou não ter recebido a decisão com surpresa. ‘‘Na ação criminal os trâmites são diferentes; não esperávamos outra decisão nesse caso. Na liminar, vamos sim recorrer.’’
  O advogado de Tamarozzi, Oswaldo Coimbra afirmou que desconhecia a citação do vereador afastado como réu na segunda ação criminal. Sobre a liminar do juiz Mauro Ticianelli, declarou que o recurso será ingressado no Tribunal de Justiça (TJ) a fim de que o cliente seja antes ouvido no processo. ‘‘Ele foi relator do processo de cassação do Bonilha, jamais participou das tratativas das quais está sendo agora acusado – é claro que ele (Bonilha) está dizendo isso também para tirar o foco da investigação contra ele’’, ponderou.
  Segundo Jamil Janene
(PMDB), seu afastamento foi ‘‘injusto’’ e ele vai provar inocência no processo. ‘‘Nunca participei de nada ilícito na
Câmara, e nenhum empresário citou meu nome. A única
fala é do ex-vereador Bonilha, com quem nunca tive relacionamento’’, garantiu. A ‘‘lista do Caldarelli’’, onde constam os nomes de nove vereadores citados por recebimento de propina, também teve a credibilidade atacada por Jamil. ‘‘Um papel com meu nome escrito não é prova de que sou bandido.’’
  Único a ter o pedido de afastamento indeferido, Gláudio de Lima (PT) anunciou que irá ingressar com ‘‘várias ações de reparação de danos, e não só contra o ex-vereador Orlando Bonilha’’. Ele não quis citar quem seriam seus alvos, mas não poupou críticas ao Ministério Público.
  Na defesa acatada pelo juízo da 1ª  Vara Cível, o petista alegou que Bonilha foi motivado por vingança ao colocar seu nome entre os vereadores que teriam recebido propina para aprovação de projetos. Nos depoimentos prestados pelo ex-presidente da Câmara ao MP na semana retrasada, Gláudio foi apontado como um dos líderes de suposta quadrilha montada na Câmara para obter vantagens indevidas.
  ‘‘Fiz uma denúncia em janeiro, em relação à venda irregular de terrenos na Acesf, que acabou culminando na comprovação de que havia um esquema de venda fraudulenta, por trás da qual estava o ex-vereador Orlando Bonilha. Quando ele me coloca na denúncia, é uma vingança em relação a isso, porque foi fator determinante para sua cassação’’, afirmou Gláudio. (Colaboraram Fábio Cavazotti e Vanessa Navarro)

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