Afastados da Acesf não são únicos citados
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segunda-feira, 19 de maio de 2008
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Vários funcionários da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) - além dos três que estão afastados por suspeita de envolvimento no golpe da tanatopraxia - foram citados pelas mais de 20 supostas vítimas que já depuseram ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e podem ser indiciados criminalmente. O inquérito policial que apura o caso deve ser concluído até o final da semana.
Durante todo o dia de ontem, diversas testemunhas que pagaram pelo serviço de tanatopraxia (técnica para prolongar a conservação do cadáver) foram ouvidas pelo delegado Alan Flore. Segundo ele, todos os funcionários apontados pelas famílias de falecidos como aqueles que tentaram convencê-las a contratar o serviço ''sem dúvidas são suspeitos''.
Sem dizer nomes, ele disse que ''vários'' servidores foram mencionados, além dos que já foram afastados por recomendação da Controladoria do Município - os preparadores de cadáveres Antônio Vaz e Claudemir Mendes, e o atendente Mauro Pinto Ferreira, preso no 2º Distrito Policial (DP) desde o último dia 14.
''Esperamos verificar quais pessoas teriam exercido conduta no sentido de coagir ou pressionar as famílias que foram acertar detalhes do sepultamento de seus entes'', definiu o delegado.
Pouco mais de 20 depoimentos de vítimas do golpe devem embasar o inquérito, que teve de ser acelerado devido à prisão de Ferreira. O prazo de 10 dias vence no sábado. Na sequência, o delegado irá abrir um novo inquérito para interrogar outras cerca de 50 pessoas que procuraram o Gaeco para fazer denúncias.
Em entrevista à imprensa, as vítimas que prestaram depoimento ontem relataram histórias bastante semelhantes. A professora Ilza Gonçalves de Azevedo, que perdeu o pai em janeiro deste ano, disse que a família aceitou submeter o corpo à tanatopraxia ''porque falaram que se não fizesse, teria que enterrar no mesmo dia''. Ela disse ter estranhado o fato, porque quatro anos antes, quando o sogro dela morreu, ''não foi preciso nada disso''. O plantonista que a atendeu não está entre os funcionários afastados.
O auxiliar de encomendas Marcos Alves, que também contratou o serviço depois de ouvir que o corpo do sogro poderia sofrer vazamentos, lançou dúvidas sobre a eficiência do trabalho. ''Ele continuou inchado como estava antes (de passar pela tanatopraxia)'', comentou. A família teve que fazer uma ''vaquinha'' para pagar o valor do serviço, R$ 1,3 mil - preço idêntico ao revelado pelas demais testemunhas. O alto custo da técnica em relação a outras cidades também é questionado pelo Gaeco, que apura se a diferença poderia servir ao pagamento de propinas.
Uma consultora que também depôs ontem, mas preferiu não se identificar, disse que hesitou em procurar ao Gaeco, mas acabou deixando o senso de justiça falar mais alto. O suposto golpe teria sido aplicado após a morte do irmão dela, em março último. ''Estranhei porque a médica não tinha orientado nada disso. Acho que fizeram sem necessidade. E se foi necessário, fico revoltada do mesmo jeito, porque foi muito caro. Quero indenização, mas principalmente quero evitar que outras pessoas passem pelo mesmo problema'', desabafou.
Notas fiscais apresentadas pelas testemunhas serão usadas como elementos de prova no inquérito. ''Não existe comprovação concreta do pagamento de propina, mas a partir do momento em que existe uma coação para pagamento de vantagem indevida, o crime de concussão já se aperfeiçoou'', apontou Flore.


