Afagos, elogios, abraços: a rotina do pré-candidato
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quarta-feira, 27 de novembro de 1996
Agência Estado 
BRASÍLIA - O prefeito de São Paulo falou sobre o que quis, ignorou perguntas que não lhe interessava responder e se queixou do governo, principalmente durante a campanha para a Prefeitura de São Paulo, vencida por seu candidato Celso Pitta (PPB). Ninguém se lembrou, durante seu depoimento à comissão de reeleição, de perguntar a Maluf se ele pretende disputar a sucessão de Fernando Henrique em 1998. Os partidos de oposição desta vez estavam do lado do prefeito; o PSDB limitou-se a lhe perguntar por que apoiava a reeleição quando ainda tinha tempo de se reeleger e depois ficou contrário à tese.
O PPB procurou dar apoio àquele que, segundo o deputado Adhemar de Barros Filho (PPB-SP), é o líder maior do partido. O lider do PPB na Câmara, Odelmo Leão (MG), foi o primeiro a fazer perguntas. Elogiou o prefeito, de seu próprio partido. O deputado José Genoíno (PT-SP) perguntou se Maluf entraria com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) caso o presidente da República venha a convocar o Congresso para votar a reeleição. Maluf disse que não é o presidente do partido e que isto poderia ser discutido, sim. E que não teria nenhum constrangimento em ir à Justiça junto com Genoíno.
O deputado Romel Anízio (PPB-MG) elogiou a administração de Maluf em São Paulo. Jofran Frejat seguiu o mesmo caminho. Com tantos elogios, o prefeito ficou mais à vontade, passando a retribuir os agrados ou a mostrar que conhece a vida dos deputados. Adroaldo Streck (PSDB-RS) disse que Maluf era contraditório. O prefeito nada respondeu. Voltou à sua campanha presidencial de 1989 e se referiu a um debate, no qual Streck participou, com muito brilho.
Depois dos elogios na comissão especial, Maluf partiu para a campanha, corpo a corpo. Afirmou que a contribuição que dará a Fernando Henrique será não tratar de sua candidatura presidencial antes de 1998. Na prática, porém, sua conduta foi outra. Ao desembarcar em Brasília, disse que iria direto para o Congresso: Em campanha eu não almoço nem janto; perdi sete quilos na campanha de Celso Pitta.
No corredor que dá acesso ao plenário da Câmara ele distribuiu 16 abraços, sem discriminar tucanos, pefelistas ou pepebistas. O cerimonial da presidência da Câmara não permitiu fotos de Maluf com Luís Eduardo. Mas do gabinete do presidente ele andou menos de 50 metros e chegou à liderança do PFL em meio aos disparos dos flashes. Sorria, recomendou ao líder Inocêncio Oliveira (PE). Qualquer dia a gente vai fundir estes partidos todos e fazer o maior partido do Oriente e do Ocidente, propôs.


