Curitiba - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse ontem, em Pinhais (PR), na região metropolitana de Curitiba, ver ainda ''fragilidade'' no texto da reforma tributária apresentado pelo relator do projeto, deputado federal Sandro Mabel (PR-GO), mas acredita que ''com algumas correções'' é possível votá-lo ainda este ano. No entanto, criticou o governo federal por mostrar disposição de discutir essa questão somente agora. ''Gostaria de ter visto a disposição que o governo demonstra agora no início do governo do presidente (Luiz Inácio Lula da Silva)'', afirmou.
A correção pedida pelo governador mineiro refere-se particularmente aos fundos que vão ressarcir as perdas dos Estados. ''Vejo fragilidade no texto não apenas em relação ao volume de recursos garantidos para esse fundo, mas em especial o seu indexador, a sua correção'', salientou. ''Acho que sanado esse problema central e alguns outros periféricos a proposta tem alguma chance de ser votada.''
Aécio reivindicou sua experiência como ex-presidente da Câmara dos Deputados para acentuar que reformas constitucionais precisam ser apresentadas em início de governo. ''Você não aprova, no Brasil, uma reforma constitucional, seja tributária, previdenciária ou mesmo política, sem ação muito forte, muito vigorosa, do Poder Executivo'', disse. ''A força do poder central é muito grande e é preciso que o poder central, o governo federal participe dessas discussões, imponha sua influência para que as reformas avancem e, obviamente, em final de governo ou na metade do governo, a força não é igual àquela que se encontra no início do governo.''
Menos gastos
O governador de Minas Gerais esteve em Pinhais para proferir uma palestra a cerca de 3,5 mil agricultores que participaram do Encontro de Empreendedores Rurais do Paraná. Ele falou sobre a gestão pública, acentuando que um dos maiores problemas que o próximo presidente da República terá que resolver é o dos gastos correntes para que possa promover investimentos consistentes. ''Tem que gastar menos com sua própria estrutura para gastar mais com pessoas'', acentuou.
Também presente ao encontro, a presidente eleita da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), disse que a entidade vai se mobilizar na discussão da reforma tributária. ''Não queremos absolutamente perder o que já ganhamos'', afirmou. Segundo ela, o setor tem isenção de PIS e Cofins de fertilizantes, defensivos e sementes, além de crédito presumido de 35% para indústrias de grãos e de 60% para a indústria frigorífica.
''Quando se faz uma reforma e se criam novos tributos aglutinando outros, a tendência é zerar todo o jogo e começar tudo outra vez'', destacou. ''Nós não vamos permitir que possamos perder esses ganhos, mesmo porque com esses ganhos que tivemos no passado a carga tributária sobre alimentos no Brasil ainda é a mais cara do mundo, de 16,4%, enquanto nos Estados Unidos, a carga tributária em cima dos alimentos é de 0,7% e na Europa, 5%.''

mockup