Desde sua festa de aniversário, quando ganhou elogios públicos do presidente Fernando Henrique Cardoso por sua ‘‘astúcia política’’ e recebeu sinais de apoio dos cardeais do PMDB, o deputado tucano Aécio Neves não parou mais. Depois dos 40 anos comemorados em março, foram 11 cafés da manhã com grupos sucessivos de 10 deputados tucanos, uma dúzia de reuniões da bancada com ministros do partido, almoços semanais com a direção nacional, encontros com líderes de partidos de oposição e algumas conversas e jantares com o presidente.
O ponto de partida da candidatura de Aécio foi um ato de ousadia que lhe rendeu o apoio da parcela da bancada antes descontente com sua liderança. Ao enfrentar o Palácio do Planalto e o PFL, formando com o PTB o bloco que deu maioria ao PSDB na Câmara, Aécio resgatou a auto-estima dos tucanos. ‘‘O PSDB era um partido que se sentia o patinho feio’’, admite. Hoje, ele já sonha com a plumagem de cisne, enquanto discute com o Planalto a plataforma de sua candidatura. Sem abandonar a discrição e a malícia típicas do político mineiro, nem esquecer a lição de paciência para as articulações mais difíceis, herdada do avô Tancredo Neves.
Para convencer o PMDB e os partidos de oposição de não aceitará nenhum apelo futuro do Planalto em nome da unidade da base, Aécio Neves sustenta que sua candidatura não admite mais recuo. ‘‘Não há hipótese de eu aceitar nenhuma imposição do governo, porque seria minha desmoralização’’, tem garantido nos bastidores. (A.E.)

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