Curitiba - De passagem por Curitiba, o governador mineiro Aécio Neves (PSDB) criticou ontem o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para Aécio, a administração petista teria tornado a máquina pública ineficiente ao criar cargos novos de ministro e acomodar os aliados políticos em funções comissionadas. ''É injustificável o alargamento das estruturas do poder do governo federal. Isso tem tornado o Estado ineficiente. Temos um aparelhamento absurdo ao longo dos anos. Essa é para mim a maior herança que o PT deixará em seu governo: a ampliação dos cargos comissionados sem qualquer necessiade e os gastos correntes crescentes - bem acima dos índices inflacionários'', ponderou.
O governador de Minas Gerais participou ontem da solenidade de premiação Personalidade Aecic (Associação das Empresas da Cidade Industrial de Curitiba) 2007 do colega tucano Beto Richa, prefeito de Curitiba. Aécio tem feito uma série de viagens pelo Brasil. Ele é apontado como pré-candidato à presidência da República pelo PSDB. Mas não confirma. ''Viajo muito para troca de informações entre os administradores do PSDB. Acho importante vermos o que estamos fazendo de positivo. Compartilhar experiências é a maneira nova de se governar. O PSDB é um partido ajuizado. Não estou em campanha presidencial. Fui eleito com o aval de 75% dos mineiros e vou honrar o voto deles fazendo uma boa gestão em Minas Gerais'', prometeu.
Aécio disse ainda que o governo Lula vive um momento favorável para aprovação de reformas importantes para o Brasil - tem prestígio popular e ampla base de sustentação no Congresso Nacional. No entanto, faltaria empenho político. ''Não existe hoje decisão política de estabelecer mudanças. Lula tem uma enorme vantagem em cima de Fernando Henrique Cardoso: ele nos têm na oposição. E nós estamos dispostos a votar em favor das reformas pelo bem do Brasil.'' Aécio disse ainda que a principal reforma é a política.
''A reforma política é a mãe de todas as reformas. Se conseguirmos votá-la, negociaremos daí com os partidos. Não mais com os parlamentares. Isso facilitará até mesmo a votação de itens importantes e de outras reformas fundamentais como a tributária - que já está atrasada e é urgente - e a previdenciária'', ponderou. Aécio falou ainda sobre a crise aérea brasileira, considerada por ele como uma prova de que os resultados não são obtidos num governo em que as prioridades de investimentos não são setores como transportes e saúde. ''Este governo tem pouca afinidade com resultados e metas. Não existem objetivos claros. Faltam investimentos e prioridades'', declarou.

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