Brasília - A disputa entre os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) pela pré-candidatura do PSDB à Presidência em 2010 mal começou e já saiu dos limites do partido. Os dois travam, agora, uma batalha de agendas em busca de apoio Brasil afora, especialmente onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desfruta de popularidade mais alta. Tanto Serra, que já concorreu ao Planalto e é conhecido por mais de 90% do eleitorado, quanto Aécio, que tem a metade desse índice, decidiram concentrar no Nordeste a agenda de viagens nessa pré-campanha bem antecipada.
Serra saiu na frente. Passou por Natal (RN) na segunda-feira, onde falou para uma platéia de cerca de 300 empresários, além de parlamentares. Hoje é aguardado em Salvador por algumas centenas de prefeitos e líderes políticos do PSDB.
Mas Aécio quer tirar o atraso a partir da comemoração da Inconfidência Mineira, no 21 de abril, com a pompa de sempre e presença inédita de personalidades do mundo político em Ouro Preto, a começar pelo presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP). A relação dos agraciados com a Medalha da Inconfidência este ano inclui os ministros das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e de Comunicação Social, Franklin Martins, e as governadoras do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), e do Rio Grande do Norte, Vilma Faria (PSB).
Após o feriado de Tiradentes, ele dará largada em sua série de viagens ao Nordeste. Enquanto Serra programa um almoço com o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) em Brasília, Aécio planeja ir ao Recife, para encontrar o governador Eduardo Campos, do PSB - partido ao qual deseja entregar a Prefeitura de Belo Horizonte, em uma aliança com o PT do atual prefeito Fernando Pimentel.
O tucano mineiro quer, também, ir a Fortaleza e, depois, a Natal, onde contará com o apoio e o entusiasmo do líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN). Henrique diz que entrou ''de cabeça'' na ofensiva para filiar Aécio ao PMDB. ''Estou fazendo esse trabalho informalmente, não só dentro do PMDB, como junto a outros partidos da base de Lula, como o PTB, o PP e o PR'', conta. ''É uma jogada de risco, mas Aécio é um nome leve, fácil de levar, e estamos apostando nisso.''
Esta semana, no entanto, quem mais estimulou Aécio a ''mostrar sua cara e seu trabalho'' pelo País foi o senador José Sarney (PMDB-AP). Tratando-se de tucanos, o senador não hesitaria em apoiar o mineiro. Afinal, guarda mágoa de Serra desde 2002, por considerá-lo responsável pelo desmonte da pré-candidatura presidencial de sua filha Roseana Sarney - a mesma que Aécio quer levar a Ouro Preto como convidada de honra no dia 21 e condecorar com a Medalha da Inconfidência.

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