Aécio e Jader são favoritos na disputa
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terça-feira, 13 de fevereiro de 2001
Agência Folha e Agência Estado De Brasília 
Salvo mundanças de última hora, as eleições no Congresso Nacional, hoje à tarde em Brasília, devem confirmar os nomes de Aécio Neves (PSDB-MG) e Jader Barbalho (PMDB-PA) nas presidências da Câmara e do Senado, respectivamente. Ontem à tarde, senador Jefferson Péres (PDT-AM), que também disputa o pleito, apoiado pela oposição, já admitia a derrota. O mesmo acontecia com pefelistas que apoiavam a eleição de Inocêncio Oliveira (PFL-PE). Reservadamente, diziam que a eleição de Aécio estava garantida.
Entregaram o cargo para Jader Barbalho de bandeja. Nunca vi tanta incoerência, lamentou Jefferson Péres após saber que o candidato da terceira via, lançado ontem à tarde pelo PFL para o Senado, é o senador Arlindo Porto (PDT-AM). Na avaliação de Péres, a decisão do PFL, partido do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, decretou também a morte da candidatura do deputado Inocêncio Oliveira (PFL-PE) à presidência da Câmara.
Ele acrescentou que não aceita fazer uma composição de última hora com o PFL e o PTB para derrotar Jader Barbalho, proposta feita pelos pefelistas durante entrevista na qual foi anunciada a candidatura de Arlindo Porto. Seria aceitar o veto do Palácio do Planalto ao meu nome.
Péres disse também que ficará satisfeito se conquistar os 13 votos do bloco de oposição. Ele admitiu que há resistências no PSB, que tem três senadores, à sua candidatura. Avalia ainda que, com a vitória de Jader Barbalho, Antonio Carlos Magalhães sai muito fragilizado. Segundo ele, está claro que hoje existem dois PFLs: um palaciano e um carlista. O senador do PDT acrescentou que antes da candidatura Arlindo Porto tinha esperança de receber 38 votos, tendo 16 votos da oposição e mais os votos do PFL.
O PFL também admitia nos bastidos que a derrota de Inocêncio para Aécio estava consolidada. O partido na Câmara sequer insistiu na tentativa de suspender a eleição, marcada para as 15 horas. Os pefelistas evitaram a votação nominal do pedido de suspensão que foi negado pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) temendo antecipar na sessão de ontem um placar desfavorável a Inocêncio.
Apesar de o declínio de Inocêncio ter começado há mais tempo, a bancada na Câmara atribuiu a possível derrota de seu líder à decisão dos senadores do partido de lançar candidato e não apoiar o senador Jefferson Péres no Senado avaliação feita pelo próprio senador pedetista. O apoio do PFL a Péres significaria a adesão da oposição à candidatura de Inocêncio, aumentando as chances do pefelista. Os partidos de oposição (PT, PDT, PC do B e PV) lançaram a candidatura de Aloizio Mercadante (PT-SP).
Parlamentares avaliam também que Inocêncio reduziu suas chances de vitória quando fez um discurso contundente de oposição ao governo Fernando Henrique Cardoso. O discurso soou falso na boca do líder pefelista, que durante seis anos defendeu o Palácio do Planalto. Ontem, o líder pefelista sofreu outro revés. A cúpula peemedebista conseguiu diminuir as resistências à candidatura de Aécio Neves na bancada. O governador Itamar Franco (MG), querendo voltar para o partido, empenhou-se em unir a bancada, afirmou o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
Na minha avaliação, não foi a melhor decisão do partido (o lançamento de Arlindo Porto); se tivessem decidido votar em Jefferson, eu já estaria eleito, admitiu Inocêncio. O PFL ainda vai tentar nas horas que antecedem a eleição o apoio de parte do PPB e do PMDB para levar a eleição para o segundo turno. Ontem à noite, Inocêncio se reuniria com pepebistas para tentar aumentar a divisão na bancada do partido, que oficialmente apóia Aécio. O presidente do PPB, Paulo Maluf, que era esperado para tentar cabalar votos pró-Inocêncio, cancelou a ida a Brasília.
Deputados do PPB se insurgiram contra a decisão do partido de retirar a candidatura de Severino Cavalcanti (PPB-PE) em favor de Aécio. Os dissidentes acham que tem 50% da bancada de 48 deputados a favor do pefelista. Ninguém joga a toalha antes de terminar o jogo. Já ganhei eleição antes que diziam que eu iria perder, disse Inocêncio. Ele considera que a avaliação pessimista dos pefelistas se deve a um clima emocional. O pessoal está indo pelo emocional e eu não vou partir para isso.
A decisão dos senadores pefelistas deixou o PMDB tão seguro da vitória que na sessão de ontem da Câmara o líder do partido, Geddel Vieira Lima (BA), tripudiou em cima do recuo pefelista no pedido de suspensão da eleição. Perdemos uma excepcional oportunidade de projetar o que vai acontecer em um futuro muito próximo, afirmou Geddel, referindo-se à eleição de hoje.


